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OPERAÇÃO DISCLOSURE

PF faz buscas na Americanas e Justiça bloqueia R$ 54 bilhões

Varejista afirma não ser alvo, e acionistas se dizem ‘surpreendidos’ com operação

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A Americanas entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023
A Americanas entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023 | Foto: — Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, na manhã dessa quinta-feira (25), em conjunto com o Ministério Público Federal, a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude bilionária na contabilidade da Lojas Americanas. Entre os alvos estão Beto Sicupira (um dos três principais acionistas da Americanas) e Paulo Alberto Lemann (ex-conselheiro da Americanas e filho de outro principal acionista da rede, Jorge Paulo Lemann).

Policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio também determinou bloqueio de bens e valores em nome de investigados até o limite de R$ 54 bilhões.

Também são investigados Eduardo Saggioro Garcia (atual presidente do conselho de administração da Americanas), além de executivos ou ex-executivos de bancos que mantinham operações com a varejista —José de Castro Araújo Rudge (Itaú), Gustavo Balassiano (Itaú), Carlos Henrique Villela Pedras (Bradesco), André Juaçaba de Almeida (Santander) e Alexandre Lian Abdo (Santander).

Segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento das fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC), supostamente contabilizados sem lastro econômico.

Risco sacado é uma operação em que um banco antecipa ao fornecedor o valor que a varejista deveria pagar e se torna o credor da loja, cobrando um juro por isso. Os contratos de VCP são acordos entre varejista e fornecedor por meio do qual os fornecedores dão descontos em grandes volumes de compras, em troca de participação na publicidade da empresa.

No caso da Americanas, porém, esses contratos eram supostamente fictícios: a Americanas informava que recebia o desconto, mas ele não ocorria. As apurações apontam indícios dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa, segundo a PF.

Como a Folha revelou no ano passado, em delação ao MPF, o ex-diretor financeiro da Americanas Fabio Abrate citou o nome de Sicupira, apontando sua dinâmica de comunicação com o ex-CEO Miguel Gutierrez, considerado pelos investigadores como o principal responsável pelas fraudes.

Sicupira foi citado, por exemplo, quando Abrate é questionado sobre a hierarquia do comando da fraude.

Em sua resposta, Abrate cita os nomes de Gutierrez e Anna Saicali, ex-diretora da varejista. Em seguida, os define como "praticamente a mesma pessoa", e completa que tudo o que Gutierrez sabia também era conhecido por Saicali.

Em nota, a Americanas informa que não foi alvo de mandados de busca na manhã dessa quinta e que a Operação Disclosure se refere à fraude revelada em 2023. A companhia diz que seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos.

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