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EXPORTAÇÕES

Acordo entre Mercosul e União Europeia vai favorecer Alagoas

No ano passado, as exportações do Estado para os países do Bloco Europeu renderam mais de R$ 459,5 milhões, diz estudo

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O açúcar deve ser o produto mais favorecido com acordo
O açúcar deve ser o produto mais favorecido com acordo | Foto: — Divulgação

Em vigor, ainda que de maneira provisória, desde 1º de maio deste ano, o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia deve trazer benefícios para as exportações de Alagoas, segundo um estudo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea).

O acordo – que depende da ratificação final e da aprovação nos parlamentos de todos os países envolvidos para consolidação definitiva – zera imediatamente as tarifas de importação para mais de 80% dos produtos vendidos pelo Brasil à Europa, com expectativa de eliminação gradual para até 92% das exportações do Mercosul ao longo dos próximos anos.

Segundo o documento da Fiea, produtos que Alagoas já exporta para o bloco europeu, como açúcar, etanol, tabaco, suco de frutas e pimentas, serão diretamente beneficiados.

No ano passado, esses produtos vendidos à UE renderam ao Estado cerca de US$ 89,9 milhões (o equivalente a R$ 459,5 milhões no câmbio atual). O volume representa um crescimento de 13,5% em relação a 2024. Com o resultado, o Estado registrou um superávit comercial com o bloco europeu no valor de US$ 28,6 milhões (cerca de R$ 145,6 milhões).

"A pauta exportadora é liderada pelo açúcar, seguido por tabaco, cabos de fibra óptica e derivados do coco", informa o documento da federação.

Especialmente em relação ao açúcar, o acordo estabelece uma cota de 180 mil toneladas com tarifa zero para o Mercosul. Responsável por grande parte das exportações do estado, este setor tende a ser beneficiado por novas cotas e prazos de desgravação, estima a Fiea.

“Alagoas, como líder na produção de açúcar no Nordeste, tem a oportunidade de assegurar participação relevante na distribuição dessa cota entre as unidades produtoras”, defende o estudo.

A federação lembra que o acordo incentiva a exportação de produtos que Alagoas produz, mas que ainda possuem baixa inserção na Europa, como o mel, cuja exportação representa apenas 0,03% da produção local. "O acordo prevê cota de 45 mil toneladas para mel natural, com isenção aplicada desde a entrada em vigor do documento e ampliação gradual do volume total da cota em 6 fases".

Além do mel, outros produtos tendem a ganhar o mercado europeu, entre eles a cachaça, que terá o comércio liberado com tarifa zero, e a cadeia de plástico e PVC. "A cachaça a granel terá cota de 2,4 mil toneladas com tarifa zero intracota e volume crescente em 5 anos. Atualmente, a alíquota gira em torno de 8%".

O estudo também aponta potencial para produtos que ainda não são exportados de forma relevante para a União Europeia, como o melão - Alagoas foi o 7º maior produtor nacional em 2024 - e o café, em fase de estudos de viabilidade no estado.

Segundo a Federação das Indústrias, as oportunidades projetadas foram identificadas a partir de uma análise da atual produção local e no cruzamento de dados com os 20 produtos mais exportados pelo Brasil e pela região Nordeste para a União Europeia.

EMPREGO

Além das trocas comerciais, o acordo é visto como um motor para a geração de emprego, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável, permitindo que a indústria alagoana se modernize para atender aos rigorosos padrões regulatórios, ambientais e técnicos da União Europeia

“Para que Alagoas maximize as oportunidades decorrentes do acordo, é fundamental adotar uma estratégia de internacionalização industrial com foco em planejamento tributário, facilitação do comércio, adequação regulatória, promoção internacional e diversificação da pauta exportadora”, recomendam os autores do estudo.

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