CONSUMO
Procura por alimentos mais saudáveis cresce no país e em estados do Nordeste
Novo comportamento do consumidor leva varejo e distribuidores a ampliar oferta de produtos naturais
Frutas, ovos, água e alimentos ricos em proteína ganham cada vez mais espaço na mesa dos brasileiros, enquanto produtos como açúcar, hambúrgueres, bebidas açucaradas e massas instantâneas perdem participação no consumo. A mudança de comportamento já provoca impactos diretos nas estratégias de supermercados, distribuidoras e da indústria de alimentos, que ampliam a oferta de itens e os espaços voltados à saudabilidade. No Nordeste, os números mostram que a transformação já é uma realidade.
Essa tendência acompanha um movimento mais amplo de busca por qualidade de vida e alimentação equilibrada. Estudo recente sobre o comportamento do consumidor divulgado pela Scanntech, empresa especializada em inteligência de mercado para o varejo, mostra que a procura por frutas in natura (33,9%), ovos (24,3%) e queijos (17,3%) apresentou crescimento consistente no último ano no país, consolidando uma nova dinâmica de consumo. Também entram nessa lista a água (59,6%) e alimentos ricos em proteínas, como sardinhas enlatadas (19,6%).
Na percepção do gerente de Categorias do Grupo Andrade, distribuidor que atua em Alagoas, Pernambuco e Sergipe e abastece milhares de pontos de venda na região, Augusto Vital, a busca por bem-estar e pelo aumento da prática de atividade física tem gerado mudanças e criado um novo padrão de consumo, de maneira que os itens mais saudáveis passaram a ser encarados sob uma nova ótica.
“Nos últimos anos, o alimento e a bebida saudável deixaram de ser vistos como algo sem sabor ou ‘obrigação’, e passaram a ser encarados como algo prazeroso. É uma tendência nacional, e no Nordeste ela vem ganhando força de forma mais recente, puxada principalmente pelo público mais jovem e pelas redes de varejo que passaram a dar mais espaço de gôndola para esse tipo de produto, o que reflete diretamente na nossa curva de distribuição”, afirma.
No sentido contrário, itens ultraprocessados vêm registrando retração. Massas instantâneas (-16,6%), açúcar (-14,2%), hambúrgueres (-11,2%), sucos prontos (-11%), biscoitos (+-10,1%) e bebidas alcoólicas (-6,7%) – puxadas principalmente pela cerveja – estão entre os itens que apresentaram redução no consumo.
Segundo Augusto, entre os itens mais impactados, estão os de alto teor de açúcar e gordura sem nenhum diferencial saudável, refrigerantes tradicionais em linha regular, alguns snacks industrializados e sobremesas muito calóricas. Diante dessa nova realidade, é preciso que o empreendedor do ramo esteja atento para refazer as rotas, adequando o negócio às novas demandas de consumo.
Em estados do Nordeste, os reflexos dessa mudança já podem ser medidos. Entre 2022 e 2025, a região registrou redução de 4,6% na procura por itens de mercearia, queda de 5,6% no consumo de itens de mercearia básica, composta por arroz, açúcar, sal, macarrão e feijão, além de retração de 4,7% nas bebidas. Entre as categorias analisadas, apenas a de perecíveis apresentou crescimento, com alta de 1,6%.
Em Alagoas, no mesmo período, a procura por produtos de mercearia caiu 13,9%; a de itens de mercearia básica, 9,7%; e o consumo de bebidas, 14,3%. Entre os perecíveis, houve redução de 12,9%.
“Como distribuidor, temos acompanhado essa mudança no mercado de perto. Contamos com fornecedores que têm investido forte em produtos que atendem a essa demanda, além de outros que estão renovando linhas para conquistar esse público”, fala Augusto Vital