CONSUMO
Confiança do comércio da capital alagoana volta a crescer em junho
Índice da Fecomércio sobe 2,7% impulsionado pelas vendas do São João, Dia dos Namorados e início da Copa do Mundo
O comércio de Maceió registrou um avanço na confiança dos empresários em junho, impulsionado pelo aumento das vendas durante o período de festas juninas, pelo Dia dos Namorados e pelo início da Copa do Mundo. Levantamento do Instituto Fecomércio Alagoas, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) cresceu 2,7% em relação a maio, alcançando 104 pontos.
Apesar da melhora, a recuperação foi moderada e reflete um ambiente econômico ainda marcado por desafios. A inflação persistente, os juros elevados e o crédito mais caro continuam pressionando consumidores e empresas, impedindo um avanço mais expressivo do indicador.
Segundo a Fecomércio AL, o crescimento da confiança foi sustentado principalmente pelas expectativas para os próximos meses e pela disposição dos empresários em investir. Já a percepção sobre a situação econômica atual segue negativa, indicando que o setor ainda enfrenta dificuldades no curto prazo.
O assessor econômico da Fecomércio AL, Lucas Sorgato, destaca que o mercado de trabalho nacional apresentou desempenho positivo nos últimos 12 meses, com aproximadamente 973 mil vagas formais criadas. Entretanto, a realidade de Alagoas permanece mais delicada.
"No primeiro trimestre de 2026, o Estado registrou taxa de subutilização da força de trabalho de 26,1% e percentual de desalentados de 9,2%, ambos entre os maiores do país. Esse cenário ajuda a explicar por que datas comemorativas impulsionam temporariamente o comércio, mas não garantem uma recuperação consistente do consumo", afirma.
Entre os componentes do Icec, o Índice de Condições Atuais apresentou queda de 1,2%, encerrando junho com 76,1 pontos. Como o resultado permanece abaixo da linha dos 100 pontos, o indicador revela que os empresários continuam insatisfeitos com o cenário econômico vigente.
O desempenho mais fraco foi observado na avaliação da economia, que recuou 7,4% e atingiu apenas 53,7 pontos. Para a Fecomércio, a percepção negativa é consequência dos efeitos combinados da inflação, dos juros elevados, do endividamento das famílias e da perda do poder de compra.
Em contraste com a avaliação do presente, as expectativas para o futuro evoluíram de forma significativa. O subíndice de Expectativas avançou 4,2%, chegando a 133,3 pontos.
A expectativa em relação à economia alcançou 116,5 pontos, enquanto a confiança no desempenho do setor chegou a 135,3 pontos. Já a percepção sobre a própria empresa atingiu 148,2 pontos, demonstrando maior otimismo dos empresários em relação ao segundo semestre.
Outro destaque da pesquisa foi o aumento das intenções de investimento. O indicador subiu 4%, alcançando 102,6 pontos. A principal alta ocorreu na expectativa de contratação de funcionários, que avançou 7,6% e chegou a 112,1 pontos.
Segundo Lucas Sorgato, o movimento pode estar relacionado tanto ao reforço temporário das equipes para atender ao aumento das vendas em junho quanto à preparação para o período de férias escolares em julho.