PRÉVIA DA INFLAÇÃO
Preços de alimentos têm maior queda para julho desde 2010
Deflação no grupo de alimentação apresentou um a deflação de 0,66%, e contribuiu para a queda do IPCA-15 em julho
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial, ficou em 0,06% em julho deste ano. A taxa ficou abaixo das observadas no mês anterior (0,41%) e em julho de 2025 (0,33%). O dado foi divulgado nessa terça-feira (28), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O principal responsável pela inflação na prévia de julho deste ano foi o grupo de despesas habitação, que apresentou alta de 0,97% no período. A taxa foi puxada pelos aumentos de 3,03% na energia elétrica residencial e de 0,26% na tarifa de água e esgoto.
Já o grupo de alimentação apresentou uma deflação (queda de preços) de 0,66% e contribuiu para a queda do IPCA-15 de junho para julho deste ano.
Comprar alimentos para preparar comida dentro de casa, a chamada alimentação no domicílio, ficou 1,14% mais barato, de acordo com a prévia de julho deste ano, devido às quedas de preços de produtos como tomate (-19,95%), a batata-inglesa (-10,03%) e o café moído (-3,13%). A redução é a maior para meses de julho em 16 anos, ou seja, desde 2010 (-1,55%).
Fim da confusão? Avenida Pratagy ganha placas de proibido estacionar
Arapiraquense conquista ouro e entra para a elite do jiu-jítsu
Cinema de graça! Penedo recebe mostra do Prêmio Grande Otelo
Mutirão recolhe pneus e combate focos da dengue em Maceió
Juíza Ana Florinda é promovida a desembargadora do TJ de Alagoas
Para analistas, a queda é explicada sobretudo por questões sazonais. A oferta de alimentos tende a aumentar neste período devido a melhores condições climáticas para a produção no campo, se comparadas ao início do ano. Mais oferta tende a se traduzir em preços mais baixos.
Segundo o economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence, também há um efeito da base de comparação.
Como os alimentos tiveram fortes altas ao longo do primeiro semestre de 2026, agora há uma "devolução" em forma de quedas intensas.
No IPCA-15, a alimentação no domicílio marcou três meses consecutivos com avanços acima de 1% –março, abril e maio.
"Tem muito de sazonalidade nessa queda dos alimentos, mas vamos lembrar que alguns [itens] in natura tiveram altas bem importantes. Então, a devolução está sendo bem intensa", diz Romão.
Segundo ele, o custo dos alimentos também pode ter sido aliviado pelo recuo recente dos preços do óleo diesel. O combustível caiu 1,32% em julho. Foi a terceira baixa consecutiva.
Neste ano, porém, o combustível ainda acumula alta de 15,18%, sob efeito da disparada das cotações do petróleo no início da guerra no Irã.
"Neste momento a gente está se valendo de uma oferta mais regular de alimentos e, portanto, de preços mais baixos", afirma o economista André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
Para os próximos meses, analistas chamam a atenção para os riscos do El Niño. O fenômeno climático desafia o agronegócio porque afeta as temperaturas e a distribuição das chuvas entre as regiões.
Como mostrou reportagem da Folha, a situação pode atrasar o plantio de grãos, reduzir a quantidade e a qualidade das safras e dificultar a pecuária. Esses episódios poderiam pressionar os preços de parte dos alimentos.
"Tem um El Niño a caminho, com muitas advertências de ser um efeito fora da curva, de ser mais forte, e isso pode comprometer muito as nossas próximas safras", afirma Braz.
Para Romão, da 4intelligence, o eventual impacto do fenômeno climático tende a aparecer nos preços do varejo a partir do último trimestre deste ano e do início de 2027.