Economia
Brasil poder� sacar US$ 3 bi do FMI em setembro
O governo brasileiro poderá sacar US$ 3 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) no início de setembro, logo após a aprovação final do acordo anunciado quarta-feira com a instituição. A segunda parcela de US$ 3 bilhões, dos US$ 6 bilhões previstos para este ano, será liberada após a primeira revisão do acordo, que acontece em novembro. A explicação foi dada ontem pelo ministro Pedro Malan (Fazenda), durante entrevista coletiva em que detalhou o programa, ao lado do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e do ministro Guilherme Dias (Orçamento, Planejamento e Gestão). O acordo com o Fundo prevê a liberação de US$ 30 bilhões ao Brasil, dos quais US$ 6 bilhões sairão este ano. Os outros US$ 24 bilhões serão liberados ao longo de 2003, em três parcelas. A primeira a ser disponibilizada após a segunda revisão do acordo, em abril; a segunda, em julho, e a terceira, após a terceira revisão do acerto, cuja data não foi informada. Malan confirmou ainda que o País também negocia a liberação de novas linhas de financiamento com o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O ministro, no entanto, não quis dar detalhes sobre o volume ou valor das operações, pois as negociações ainda estão em curso. Sem ração O presidente do Banco Central disse, ontem, que o Banco Central não terá mais o compromisso de intervir diariamente no mercado de câmbio com a tradicional ?ração diária?, adotada em julho e que até quarta-feira montava os US$ 50 milhões. Segundo ele, o objetivo do BC é atuar dando mais liquidez ao mercado, mas sem que isso represente uma intervenção a cada dia. Fraga explicou, ainda, que o BC terá uma nova metodologia para as intervenções no câmbio e que, sempre que o montante de intervenções atingir US$ 3 bilhões ou mais em um prazo de 30 dias, a equipe econômica fará uma avaliação da situação cambial com o FMI. O prazo começou a contar a partir de ontem e é restrito a 30 dias, isto é, passado esse prazo, começa-se uma nova contagem de outros 30 dias, descartando-se o que ocorreu no primeiro dia da contagem anterior. Após acordo, dólar cai para R$ 2,91 e risco-Brasil recua para 1.759 pontos O day after do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) terminou para o mercado de câmbio com o dólar em novo patamar, agora de R$ 2,90. A moeda norte-americana fechou a R$ 2,91 para venda e R$ 2,906 para compra, com uma queda relativamente modesta de 3,48%. A cotação pode sofrer ajuste até as 17 h, quando se encerram os negócios no pregão eletrônico. Para as próximas semanas, o mercado visualiza a moeda norte-americana em torno de R$ 2,80, mas dificilmente abaixo disso. Após as eleições, pode recuar ainda mais antes de reassumir uma tendência de alta possivelmente moderada, com os primeiros meses do novo governo. ?Não interessa agora, pelo balanço de pagamentos e pelas exportações, deixar o dólar cair muito?, afirmou o vice-diretor de câmbio do Banco Brascan, Sergio Blank. Risco Durou pouco a permanência do Brasil no quinto lugar do ranking de maiores risco-país do mundo. Apesar da queda acentuada do risco do País ontem, graças ao anúncio do acordo com o FMI, o Brasil encerrou o dia na quarta posição. O risco-país brasileiro chegou a cair a 1.658 pontos na mínima do dia, mas reduziu a baixa e acabou fechando com recuo de 8,48%, a 1.759 pontos. Na frente do Brasil no ranking, estão Argentina (7.057 pontos), Nigéria (2.554 pontos) e Uruguai (2.328 pontos) e, imediatamente atrás, o Equador (1.707 pontos). Operadores afirmaram que parte da queda de ontem foi antecipada quarta-feira já na expectativa do anúncio, que ocorreu após o fechamento dos mercados. Nos últimos dois dias, a queda total foi de 16,3%. O principal título brasileiro negociado no exterior, o C-Bond, fechou com alta de 1,69%, a 60,25% do valor de face.