RIQUEZAS
PIB do País desacelera e cresce 0,5% no 2º semestre, aponta IBGE
O crescimento do Produto Interno Bruto foi o menor desde o 4º trimestre do ano passado, quando a economia avançou 0,2%
O PIB (Produto Interno Bruto) desacelerou no Brasil no segundo trimestre, com avanço de 0,5% na comparação com os três meses imediatamente anteriores, apontam dados divulgados nessa terça-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A perda de ritmo era aguardada por analistas devido principalmente ao aperto dos juros elevados. O resultado ocorre após alta de 1,1% no primeiro trimestre.
Motor do PIB, o consumo das famílias veio pior do que o esperado e puxou o indicador para baixo. Isso reforça a expectativa de que a economia continue a desacelerar.
O consumo, que mede as despesas com a compra de bens e serviços para uso próprio, recuou 0,4% no segundo trimestre. É o menor desempenho desde os três últimos meses de 2024 (-0,6%). As altas da agropecuária (2,8%) e da indústria extrativa (3,4%), por outro lado, ajudaram a impedir uma desaceleração ainda maior do PIB.
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Os dois segmentos são menos afetados pelos juros, diz a economista Juliana Trece, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
"As famílias estão muito endividadas, e os juros elevados acabam sendo uma barreira para o crédito. Tudo isso mexe na dinâmica. Mas a economia seguiu crescendo, muito sustentada pelas atividades não tão relacionadas aos juros", afirma.
Apesar de o resultado do PIB ter ficado ligeiramente acima das projeções do mercado financeiro, muitos economistas já falam em um viés de baixa para o acumulado do ano. A mediana das estimativas era de 0,4% para o período de abril a junho, conforme a agência Bloomberg.
"A retração do consumo das famílias é particularmente relevante nesse diagnóstico, uma vez que ocorre mesmo diante de uma taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, sugerindo que os efeitos da política monetária contracionista [juros altos], do elevado comprometimento de renda e das condições ainda restritivas de crédito começam a se sobrepor", disse o economista Yihao Lin, da Genial Investimentos.
A alta de 0,5% foi a menor para o PIB desde o quarto trimestre do ano passado (0,2%).
Pelo lado dos setores, os dados do IBGE mostram que os serviços (0,2%) e a indústria (0,1%) ficaram praticamente estagnados de abril a junho.
A agropecuária, por sua vez, acelerou ao registrar o crescimento de 2,8%. O país vive ano com projeções de recorde na safra de grãos. A pecuária também gerou contribuição positiva.
O economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, afirma que os dados mostram uma economia que ainda cresce devido à renda agropecuária e extrativa, mas a expectativa é de que os efeitos do agro diminuam. Ele projeta expansão de 0,2% no próximo trimestre e de 1,9% no ano para o PIB.