PEC
Comissão aprova fim da escala 6x1 e votação vai ao plenário do Senado
Base do governo trabalha para que isso aconteça pelo menos antes do segundo turno das eleições
A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou nessa quarta-feira (2) o relatório da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1, em que o trabalhador tem apenas um dia de folga semanal.
A proposta foi aprovada em votação simbólica, quando não há declaração de votos. Os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS) registraram posicionamento contrário ao tema.
A aprovação na comissão é a penúltima etapa na tramitação. O texto ainda precisa ser analisado no plenário do Senado, onde são necessários votos de 49 dos 81 senadores em dois turnos. A base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha para que isso aconteça pelo menos antes do segundo turno das eleições.
Também foi aprovada uma recomendação de calendário especial no plenário, o que permitiria que a primeira e a segunda votações aconteçam no mesmo dia, decisão que depende de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente da Casa.
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Ao fim da votação na comissão, a base do governo puxou gritos de "plenário, plenário". Alcolumbre não se comprometeu a incluir a PEC na pauta do plenário, e governistas dizem que ainda esperam sensibilizar o presidente do Senado.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), esteve na CCJ e, após a votação, disse esperar que a proposta chegue ao plenário nesta quarta ou nesta quinta-feira (3). Esta semana é a última janela de votações prevista antes das eleições, em outubro.
Por fim, a tentativa o governo de levar o relatório da PEC ao plenário ainda nessa quarta se mostrou frustrada. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), disse que não havia segurança de que a proposta teria o mínimo de votos necessário.
"No mapa de votos que fizemos, havia risco, e não é adequado correr esse risco." Para o líder, a oposição operou uma bem sucedida operação de esvaziamento. Ainda segundo Randolfe, a base do governo deve tentar viabilizar uma votação extraordinária na segunda semana de outubro, entre os turnos da eleição.
O relatório do senador Omar Aziz (PSD-AM) reproduziu integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em maio. Até o início da votação na CCJ, 36 emendas haviam sido apresentadas, e todas foram rejeitadas pelo relator.
A maioria delas foi apresentada pela oposição. Eram tentativas de evitar a redução na jornada semanal, evitar a concessão de dois dias de folga para que apenas um fosse remunerado e de aumentar o período de transição. Um destaque do líder da oposição, senador Rogério Marinho, que buscava acabar com o descanso semanal remunerado, também foi recusado na comissão.
A oposição pediu vista na discussão, o que levou a reunião da CCJ a ser suspensa por uma hora, como parte da estratégia para conter a votação. Mas governistas insistiram na análise e, após o prazo, o chefe da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), da base do governo, levou a proposta à votação.
Bolsonaristas já admitiam na véspera que o assunto gerava desgaste eleitoral para senadores que são candidatos.
Por isso, o enfrentamento ao andamento da proposta foi deixado a senadores que não disputam as eleições deste ano, como é o caso de Rogério Marinho, coordenador da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) a presidente.
O candidato evitou falar sobre o projeto. Ele é o quarto suplente da comissão, então não participou da votação.