Economia
Estagna��o econ�mica deixa o Estado em situa��o ca�tica
A queda na arrecadação do ICMS em Alagoas ? o governo não diz de quanto foi, mas a estimativa é de que ultrapassou os 20% - é conseqüência da estagnação econômica do Estado e da ineficiência do setor de arrecadação, segundo avaliação técnica. Além de não ter conseguido atrair investimentos, Alagoas ainda perdeu receita, como da Trikem, que deixou de pagar o ICMS gerado pelo consumo de energia elétrica. Como o ICMS é a principal base de cálculo para o FPE, a tendência é de o Estado acumular perdas seguidas. Para se ter uma idéia da conseqüência da estagnação econômica, Sergipe, com uma população menor e com menos municípios, ocupa hoje o sétimo lugar ? era o último ? entre os nove Estados nordestinos ? Alagoas está no nono lugar, ou seja, o último e perde para o Piauí, cuja população também é inferior a de Alagoas. Caso federal Para o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cícero Péricles, Ph.D. em Economia, é impossível o Estado recuperar posição e sair da estagnação sem um plano de desenvolvimento industrial eficiente. ?Não há política de desenvolvimento econômico no Estado e o exemplo está nas pequenas fábricas de queijo instaladas no Sertão, que funcionam sem apoio oficial?, disse o economista, denunciando o descaso com o planejamento no poder público. ?A situação de Alagoas chegou ao limite tão grave que hoje eu afirmo: sem a ajuda do governo federal, o Estado não vai conseguir sair desse marasmo. Alagoas é um caso federal e o Estado tem de ser bancado pelo governo federal, porque somos um caso à parte no contexto nacional. A década de 1990 para os alagoanos foi perdida e essa perda só poderá ser recuperada com ajuda oficial?, alertou. As causas Mesmo destacando que a estagnação da economia alagoana foi deflagrada pela retração dos investimentos no setor sucro-alcooleiro, a partir do fim da década de 1980, o economista Cícero Péricles mostrou que nada foi feito para amenizar os efeitos que todos sabiam que iriam advir. ?O Estado não tem plano de de-senvolvimento, não sabe como atrair os investimentos industriais e, ao mesmo tempo, assiste à fuga de capitais para outros Estados?, disse, referindo-se aos investimentos realizados pela indústria sucroalcooleira em Minas Gerais. ?Três grupos alagoanos vão esmagar, este ano, 40 milhões de toneladas de cana-de-açúcar plantadas na região do chamado Triângulo Mineiro. Esses grupos(João Lyra, Carlos Lyra e Coruripe) optaram pelas terras de Minas Gerais porque são mais baratas, mais produtivas e estão próximas do mercado consumidor do Centro-Sul. Também optaram por investir fora do Estado porque em Alagoas não há mais condições técnicas de expansão horizontal da produção de cana-de-açúcar?, concluiu o economista, mostrando-se preocupado porque a estagnação econômica gera desemprego e aumenta a miséria, principalmente em Maceió.