Economia
Despesa com a folha cresceu depois do PDV
ROBERTO VILANOVA Cinco anos depois da implantação do Programa de Desligamento Voluntário ? PDV ? e a situação de Alagoas voltou à estaca zero ? a despesa com a folha de pagamento de pessoal cresceu, apesar da redução do número de servidores. A situação é mais grave na administração indireta, onde o Departamento de Estrada de Rodagens ? DER ? a Companhia de Habitação Popular ? Cohab ? e mais duas fundações lideram a relação dos órgãos onde se registraram as maiores aberrações, ou seja, apesar de o número de servidores ter diminuído as despesas com pessoal praticamente dobraram. Os dados sobre Alagoas foram obtidos através da Secretaria do Tesouro Nacional (www.stn.fazenda.gov.br) e referem-se aos anos de 1995 até 2000 ? a partir desta data o governo de Alagoas deixou de divulgar a movimentação financeira e retirou a página eletrônica do Estado no site do Ministério da Fazenda. Um dos assessores do Ministério, Luiz Henrique, explicou à GAZETA, por telefone, que o governo federal não pode obrigar os Estados a manterem as informações financeiras na Internet, mas admitiu que a supressão da página dá margem às especulações. ?É uma questão de foro íntimo. Se não há nada a esconder, então não justifica suprimir a página?, disse. Dados De acordo com os dados levantados junto ao governo federal, os vinte e três órgãos da administração indireta de Alagoas consumiam, em 1995, o equivalente a 36 milhões 945 mil 930 reais e 27 centavos para pagar a folha de 26 mil servidores. Em 2000 o número de servidores caiu para 23 mil, devido às adesões ao PDV, e as despesas, inexplicavelmente, saltaram para 37 milhões 69 mil 287 reais e 8 centavos sem que tenha sido registrado reajuste salarial ? essa é a justificativa para o governo ter suprimido a página que divulgava a movimentação financeira, receita e despesa, na Internet. Caótica A situação mais caótica e a que está sendo considerada como o maior absurdo foi registrado pela Fundação de Ensino Superior do Agreste ? Funesa ? que em 1995 possuía 71 funcionários e tinha uma folha de pagamento de 36 mil 98 reais e 76 centavos e, em 2000, com 70 servidores ? apenas um aderiu ao PDV ? registrou uma despesa com a folha de pagamento de pessoal na ordem de 79 mil 898 reais e 34 centavos, ou seja, um crescimento inexplicável superior a 100% da despesa registrada antes do PDV. A Fundação Governador Lamenha Filho ? Funglaf ? também é protagonista de absurdos - em 95 a Funglaf possuía 2.121 servidores, que consumiam uma folha salarial de 1 milhão 137 mil 770 reais e 10 centavos; em 2000, depois do PDV, o número de servidores foi reduzido para 1.705 mas a folha de pessoal passou para 1 milhão 474 mil 477 reais e 22 centavos.