EMPREGO
Taxa de sindicalização no Nordeste é a menor da história, aponta IBGE
Entre 2015 – início da série histórica – e 2025, o índice de trabalhadores ligados a sindicatos recuou de 16,1% para 9,2%
A taxa de trabalhadores sindicalizados no Nordeste recuou de 16,1% em 2015 para 9,2% em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados na quarta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Trata-se do menor percentual de toda a série histórica, iniciada pelo órgão em 2012. Naquele ano, a taxa de trabalhadores sindicalizados na região era de 16,6%, a segunda maior registrada, atrás apenas da de 2013, quando o índice atingiu 16,7%.
Na comparação com 2024, quando a taxa foi de 9,3%, houve estabilidade. O índice nordestino é superior aos 8,8% registrados em todo o País, aponta o IBGE, que não divulgou os dados por estado.
O analista do instituto William Kratochwill lembrou que a reforma trabalhista acabou com a contribuição obrigatória para as entidades, chamada de imposto sindical. O desconto passou a depender da autorização dos profissionais.
Para Kratochwill, os dados podem indicar que os sindicatos não estão atendendo aos anseios dos trabalhadores. "Quando um serviço não é adequado àquilo que a pessoa deseja, ela não vai mais se submeter [a ele]. Não vai querer mais aquele tipo de serviço", justifica.
Segundo o analista, as novas gerações que estão entrando no mercado de trabalho não estão aderindo aos sindicatos. "Eles parecem ter uma clientela mais fiel, os mais antigos, as pessoas com mais idade, e ainda não convenceram os mais jovens de que podem e devem prestar um serviço melhor à população ocupada", afirmou Kratochwill.
ANÁLISE NACIONAL
Em todo o País, o total de brasileiros empregados que estavam filiados a algum sindicato permaneceu estável em 2025, frente ao ano anterior, com 9,1 milhões de pessoas. Em termos percentuais, esse número significou que 8,8% do total de ocupados estavam filiados a sindicatos no ano passado.
A série histórica mostra o comportamento da sindicalização desde a reforma trabalhista. Em 2017, 14,2% dos ocupados eram sindicalizados, patamar que recuou constantemente até os 8,4% de 2023, nível mais baixo da série. Em 2024, houve recuperação para 8,9%, chegando a 8,8% no ano passado.
"A partir de 2017, embora com ocupação crescente, o número de trabalhadores sindicalizados apresentou perdas de mais de 1 milhão de associados em alguns anos e, em 2023, foi registrada a menor taxa de sindicalização de toda a série histórica", diz o IBGE.
Em termos das diferenças de sindicalização por sexo, o IBGE nota que em 2012 a diferença no percentual de homens e mulheres sindicalizados era de 2 pontos, o que caiu para 0,2 ponto percentual no ano passado. Em 2025, era de 8,9% o percentual de homens sindicalizados, enquanto entre as mulheres a fatia era de 8,7%.