DINHEIRO
Endividamento das famílias recua pela primeira vez no ano, aponta CNC
Inadimplência caiu de 38,8% para 38,5% entre famílias que ganham até 3 salários mínimos, diz pesquisa
O endividamento das famílias brasileiras registrou em setembro a primeira queda do ano, recuando de 82% em agosto para 81,7%. É o primeiro alívio no indicador desde dezembro de 2025, segundo dados da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgados nessa quinta-feira (8) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).
Apesar do recuo, o patamar permanece elevado. O indicador vinha em trajetória de alta desde o final do ano passado, quando estava em 80,9%, e atingiu pico de 82,2% em abril e maio. A expectativa da entidade é que o ano termine com o endividamento relativamente estável, em torno de 81,5%.
A parcela de famílias com dívidas em atraso também apresentou melhora, caindo de 29,9% em agosto para 29,6% em setembro — abaixo dos 30,5% registrados no mesmo período do ano passado. O percentual de consumidores sem condições de quitar os débitos atrasados ficou estável em 12,5%, enquanto a fatia considerada muito endividada passou de 17,9% para 17,3%.
Na desagregação por renda, no entanto, o comportamento divergiu:
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Até 3 salários mínimos: inadimplência caiu de 38,8% para 38,5%;
De 3 a 5 salários mínimos: recuou de 28% para 27,8%;
De 5 a 10 salários mínimos: passou de 20,3% para 20,2%;
Mais de 10 salários mínimos: foi a única faixa em que o indicador subiu, de 14,9% para 15%.
Para a economista Juliana Inhasz, professora do Insper, a alta entre os mais ricos não reflete necessariamente deterioração financeira. "Pode fazer sentido manter o dinheiro investido e parcelar uma compra, em vez de sacar o dinheiro para pagar à vista", avalia, citando a estratégia de aproveitar os retornos elevados de investimentos em renda fixa.
Apesar da trégua nos índices gerais, o tempo médio de atraso subiu pelo segundo mês consecutivo, alcançando 65,3 dias em setembro — o maior patamar desde novembro de 2024 (65,5 dias). Além disso, quase metade das dívidas em atraso (48,9%) estava vencida há mais de 90 dias.
Inhasz aponta que a melhora pontual pode estar associada à resiliência do mercado de trabalho e a programas de renegociação, como o Desenrola Brasil. No entanto, ela alerta que prazos mais longos e o parcelamento excessivo — especialmente de consumo imediato, como compras de supermercado — criam passivos duradouros.