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Economia

Alagoas deve crescer, diz economista

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Todo começo de ano nos perguntamos o que os próximos 12 meses nos reservam. Fazemos planos, promessas, nos renovamos. Na economia não é diferente. Dados do ano anterior servem para compor o quadro das possibilidades financeiras e empresariais de 2010 e apontar alguns prováveis caminhos dos setores econômicos no Estado. A pedido da Gazeta, o doutor em Economia e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cícero Péricles, teceu comentários sobre os principais segmentos locais e ainda analisou os feitos econômicos de 2009. Confira a seguir a íntegra da entrevista e também as perspectivas traçadas pelo economista. *** Gazeta - O que podemos destacar da economia nacional e alagoana em 2009? Cícero Péricles ? A crise internacional, que explodiu no fim de 2008, influenciou o desempenho de toda a economia brasileira, principalmente no primeiro semestre. Mas como a economia nacional possui um forte sistema financeiro, o impacto foi menor que o anunciado. Por outro lado, o governo federal agiu rapidamente, com empréstimos a empresas com problemas financeiros, aprovou a desoneração para setores dinâmicos, assumiu um forte programa de investimentos e prosseguiu com o aumento da renda nacional, com elevação do salário mínimo. Neste cenário, Alagoas passou relativamente tranquilo. O setor exportador ? sucroalcooleiro, químico e fumo ?, afetado inicialmente pela crise, recebeu financiamento da rede estatal no momento da crise e voltou à normalidade. O resultado final das vendas externas alagoanas, de mais de US$ 700 milhões, é um pouco menor que o do ano passado, mas um nível de redução menor que o das exportações nordestinas e brasileiras. E até mesmo um setor importante, como o turismo, foi beneficiado, no primeiro semestre, pela desvalorização do dólar, que tornou o destino Nordeste mais competitivo que o Caribe e os destinos na América do Sul. ### Construção civil deve abrir mais vagas de trabalho Na segunda parte da entrevista, o doutor em Economia, professor Cícero Péricles, fala sobre as perspectivas para 2010. Ele diz o que os alagoanos podem esperar da economia brasileira e quais seus reflexos nos setores produtivos de Alagoas, faz uma análise do mercado de trabalho e como as eleições podem afetar obras e investimentos. E o que podemos esperar para 2010? A economia brasileira deverá crescer em torno de 6%, que seria o melhor desempenho de muitos anos. Isso é decisivo para a economia alagoana. Primeiro, esse desempenho positivo significa maior arrecadação federal e, portanto, mais transferências federais. Esses recursos das transferências, mais os pagamentos do INSS e os aumentos do salário mínimo irão manter o comércio na marcha rápida que vem alcançando desde 2004. Esse ambiente dinâmico é o responsável pela chegada de supermercados, redes de lojas, shopping e pontos comerciais. Segundo, porque movimenta setores que são dependentes do cenário nacional, como o turismo. O crescimento econômico favorece o mundo dos assalariados, principalmente das regiões mais desenvolvidas, como Sul e Sudeste e capitais de Estados nordestinos. Como os turistas que chegam a Alagoas fazem parte dos chamados segmentos de consumo B e C, um turismo de massa, deveremos ter um ano com o mesmo ritmo ? ou maior ? que 2009. Esse movimento é importante para garantir os negócios já instalados e servir de argumento para a atração de novos empreendimentos. Outra boa novidade são os novos recursos emprestados pelo BID, mais os que chegarão do BNDES e Caixa, que ajudarão os investimentos públicos estaduais. ### O que esperar de cada setor produtivo A expectativa para 2010 é otimista. Espera-se que a economia alagoana avance e acumule pontos positivos no decorrer do ano. Mas o professor da Ufal faz alertas: é preciso investir na infraestrutura para ?realizar todo o potencial turístico? do Estado e ?atrair indústrias de porte maior? para abrir novas e abundantes oportunidades de trabalho. Setores como o comércio e construção civil devem se superar neste ano, já que foram os que apresentaram expansão positiva em 2009. Leia abaixo os apontamentos. ### | SUCROALCOOLEIRO | Foi o setor que, desde o anúncio da crise, apresentou um conjunto de empresas com problemas financeiros. As dívidas contraídas para alavancar projetos em outros Estados e o corte no crédito à exportação, que atrasou os negócios externos, afetaram o desempenho de alguns grupos empresariais, principalmente no primeiro semestre. Como é um setor tipicamente exportador, está sendo beneficiado pelos preços do açúcar no mercado internacional, que são os mais altos desde os anos 1990 (foto). Os preços do álcool, no mercado interno, também continuam remuneradores, o que cria uma condição financeira mais favorável que a do ano passado. Para este ano, há perspectiva de realizar os investimentos necessários na manutenção do parque industrial e no trato cultural da cana-de-açúcar que, devido aos problemas anteriores, sofreram cortes e reduções. No entanto, o setor sucroalcooleiro não é um gerador de dinâmica de crescimento da economia alagoana; dele não surgem novos empreendimentos, pelo contrário, os novos projetos e a expansão se dão em outros Estados e, por cima, é um grande concentrador de renda. | TURISMO | O setor turístico em Alagoas vive um bom momento, mas também distante de realizar seu potencial. Basta comparar os números alagoanos com os dos outros Estados nordestinos, em número de leitos, movimento aéreo, investimentos em novos hotéis, entre outro, para constatar o quanto estamos distantes nessa disputa. O problema é o mesmo de anos atrás: falta de infraestrutura e o tamanho limitado da rede hoteleira alagoana. O potencial alagoano deve ser comparado ao do Rio Grande do Norte, que possui uma economia equivalente. E lá, o turismo vem obtendo resultados ? dez vezes mais turistas estrangeiros que Alagoas. Por causa disso, é necessário mais trabalho e investimentos para concretizar a nossa capacidade de atração de turistas estrangeiros e nacionais (foto). É um segmento significativo, em alguns municípios do Litoral, mas pode se transformar num forte setor estadual caso seus problemas estruturais sejam resolvidos. | INDÚSTRIA | Há uma novidade positiva, que é a chegada de algumas novas fábricas em Alagoas. As unidades industriais instaladas, este ano, assim como a ampliação de empresas no Distrito Industrial Luiz Cavalcante, sinalizam um fato novo, diferente de anos passados, que ficaram sem notícias. Mas também muitas limitações: são pequenas empresas, que geram poucos empregos e estão distantes de representar um movimento de industrialização, nem mesmo mudanças significativas no perfil industrial de Alagoas, porque não têm peso para isso. Para o próximo ano, há expectativa de anúncios de empreendimentos de porte, como a definição da mineradora Vale Verde, em Craíbas, que até agora está fazendo prospecções; do estaleiro Eisa, em Coruripe, que irá disputar as encomendas da Petrobras; e da própria usina nuclear que, no próximo ano, passará por estudos da Eletronuclear, sobre as localidades que têm condições para a instalação de uma termonuclear. Esses são investimentos de peso, significativos. | ECONOMIA INFORMAL | A economia informal vai bem, crescente e cada vez mais presente nos bairros e cidades do interior. Beneficiada pelos seguidos aumentos do salário mínimo, dos rendimentos do INSS e das transferências federais, a economia informal, urbana e rural, é o grande setor da ocupação de mão de obra com pouca qualificação e a responsável pela dinâmica desde as feiras livres ao comércio de bairros. Não se desenvolve mais rapidamente por falta de assistência técnica, crédito produtivo e espaços para comercialização. | COMÉRCIO | Como os números do nosso mercado consumidor vêm aumentando anos seguidos, devido principalmente à renda familiar e ao acesso ao crédito, as redes nacionais estão chegando, os supermercados já instalados ampliam seus espaços e os pequenos supermercados e mercadinhos de bairro também estão a pleno vapor. Este ano tivemos uma novidade, que foi a inauguração do novo shopping na entrada do Benedito Bentes, que é um núcleo comercial importante, assim como as lojas das ruas do Centro de Maceió e o Shopping Iguatemi. E tudo isso tem uma explicação: Alagoas está há 68 meses batendo recordes de consumo de varejo (foto) e já acumula, este ano, uma taxa de 6,6% a mais que o ano passado. | CONSTRUÇÃO CIVIL | Em Alagoas é o setor com o melhor resultado na geração de empregos formais e o que melhor e mais rapidamente responde ao estímulo do crédito. Contrata mão-de-obra em grande número, compra insumos produzidos na região e elabora um produto que é muito demandado, que são as casas e os apartamentos. A construção civil, além de melhorar o nível de atividade econômica, não depende de importações ou de financiamentos externos. Esse processo de crescimento é importante para Alagoas, na medida em que, simultaneamente, atenua o desemprego e o déficit habitacional, problemas que afetam população. ///

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