OPERAÇÃO
PF prende segundo deputado estadual mais votado do Rio
Operação também deteve delegado Marcus Amin, ex-secretário de Polícia Civil
Uma operação da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro em postos de combustíveis prendeu, nessa quinta-feira (15), o deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Márcio Canella (União Brasil-RJ) e o delegado Marcus Amim, que já ocupou os cargos de secretário da Polícia Civil do Rio e de presidente do Detran do estado.
Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 197 mil votos. Seu nome chegou a ser indicado para o Senado por Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente da República.
A defesa de Canella afirmou que não teve acesso à decisão. Segundo os defensores, o deputado disse que "confia em Deus, na Justiça e que tem certeza de que tudo será esclarecido".
O advogado Thiago Minagé, que representa Amim, disse que aguarda acesso "à decisão para prestar os devidos esclarecimentos".
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Também foram presos na operação os policiais civis Cristiano Gaspar Fernandes, Giovanne Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Junior e Pablo Juquiá Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.
O advogado Ubiratan Guedes, que faz a defesa dos irmãos Gaspar Fernandes, disse que ainda não teve acesso aos autos e que seus clientes estão surpresos com a prisão. "A única coisa de que temos conhecimento é da prisão. Mais nada", disse. A reportagem busca a defesa dos demais presos.
A Polícia Civil do RJ afirmou que "não compactua com qualquer desvio de conduct e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades".
A corporação ainda disse que atua de forma integrada com outras forças de segurança e que a Corregedoria-Geral acompanha a operação.
A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e é a oitava fase da Operação Unha e Carne, que já havia prendido Canella e Amim antes.
Segundo as investigações, Canella é suspeito de ser beneficiário recorrente de valores cuja origem não está esclarecida, como aproximadamente R$ 2,5 milhões em créditos por sua empresa de empreendimentos e por repasses em espécie de quase R$ 140 mil.
Já Amim é apontado como o "operador institucional e garantidor de blindagem policial ao grupo". Ele é considerado sócio oculto de postos de gasolina, e as investigações apontam que recebeu R$ 1,8 milhão em um contrato de consultoria sob suspeita.
Pablo Russo, que é um policial civil, é descrito pelas apurações como o principal operador de uma rede que controla mais de 40 postos formalmente registrados em nome da mulher dele e de outra sócia.
Ele recebia, de acordo com a investigação, agendas sigilosas de fiscalização do Procon de forma antecipada.
Segundo a PF, a operação dessa quinta foi o tema da reunião da cúpula do órgão com Moraes, no último dia 6, fora de agendas oficiais e que causou desgastes internos no Supremo.
A operação teve 16 endereços de busca e apreensão domiciliar, em sete municípios do Rio, ligados a 12 pessoas. Em um dos endereços, foram apreendidos R$ 40 mil em uma adega.
Oito endereços ficam em Niterói, em bairros como Icaraí, Camboinhas, Piratininga e Charitas. José Carlos Alves de Souza Junior tem quatro endereços, em Niterói, Petrópolis e Armação dos Búzios. Pablo Juquiá Félix Ferreira tem um em Niterói e outro em Angra dos Reis.
Na capital, as buscas ocorrem na Barra da Tijuca, na zona oeste, onde ficam o deputado estadual eleito Márcio Canella e o escrivão da PF (Polícia Federal) Fábio Henrique Ferreira dos Santos, e em Ramos e Cachambi, na zona norte. Os outros endereços estão no centro de Nova Iguaçu e em São Gonçalo.
A decisão também autorizou a busca pessoal, com apreensão de celulares, computadores, documentos, armas, dinheiro a partir de R$ 5.000 e veículos de valor igual ou superior a R$ 70 mil.
"O esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)", diz a PF, em nota.
"Além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações."