Economia
Hora de investir no material escolar
Todos os anos é a mesma coisa. Mal começa o mês de janeiro, o movimento nas livrarias e papelarias ganha impulso com a venda de material escolar. A famosa lista entregue no ato da matrícula é a primeira grande preocupação financeira do ano para toda família que tem filhos em idade escolar, matriculados na rede particular de ensino. Para as livrarias e papelarias, é a época de ouro de um comércio sazonal, que explode em vendas nos três primeiros meses do ano. Tempo de reforçar o estoque e a equipe, com contratações temporárias. ?Passamos de uma média de seis para 22 a 30 funcionários por loja?, diz o empresário Bernardo Maia Cunha, da Resma Papelaria. A realidade é praticamente a mesma em todos os estabelecimentos do gênero. Para suportar a demanda, o número de funcionários da Real Papelaria chega a triplicar nos meses de fevereiro e março, segundo a gerente de atendimento, Nadja Maria Rocha. ### Pais devem ficar atentos a itens abusivos, diz Procon A lista de material escolar pesa no orçamento, por isso mesmo, de acordo com o Procon, as escolas têm obrigação de fornecê-la com antecedência, para que os pais possam pesquisar os preços com tranquilidade e escolher o fornecedor de sua preferência. Como sempre faz, o órgão de defesa do consumidor alerta para os itens que não devem constar na relação de material. Apesar de terem conhecimento do que é considerado abusivo, muitas escolas insistem em cobrar dos pais material de uso coletivo, como itens de limpeza, papel higiênico, álcool, copos descartáveis, giz ou canetas para lousa, e material de escritório. ?Isso já entra na planilha de custos, que define o valor da mensalidade escolar?, explica Rodrigo Cunha, superintendente do Procon-AL. ### Produtos de grife pesam ainda mais A hora da escolha do material de uso pessoal é uma preocupação a mais, que requer atenção redobrada e estratégias para não se deixar levar pelo apelo comercial das linhas de marca e extrapolar os limites de gastos. ?Não tem como escapar. É lógico que não vamos comprar tudo do jeito que os filhos querem, mas tem que deixar uma margem para escolha própria. Aquele material vai acompanhar a criança o ano inteiro?, diz a pedagoga Ana Paula Costa. É nessa brecha que entra o modismo. O mercado de bolsas, cadernos, apontadores, canetas e lancheiras está repleto de caras e símbolos tirados de marcas de sucesso ou importados dos desenhos animados preferidos da garotada, e ainda dos velhos contos de fada, com personagens e cores que enchem os olhos e a fantasia da criançada, mas que fazem uma enorme diferença no preço. ### Pesquisa evita pesadelo financeiro Para qualquer situação, a primeira recomendação é pesquisar. Essa minimaratona é o primeiro compromisso do casal Dario e Tereza Sobral, depois de pegar a lista de material escolar do filho . ?Costumamos gastar uma manhã inteira nessa tarefa, mas já saímos de casa com a determinação de concluir com as compras no mesmo dia, para evitar perda de tempo e alteração de preço de um dia para o outro?, ensina Dario. ### Um companheiro para toda vida escolar | VITÓRIA ALCÂNTARA - Editora de Economia O conselho da ?tia?, dado no início de 2009, foi seguido à risca por Waleska. Com os colegas, ela formou uma fila próxima à diretoria da escola onde estudava e ansiosa esperou pelos livros do 5º ano. Já com os volumes nas mãos, repetia consigo mesma: ?A tia mandou ter cuidado com eles. Eles vão servir para outro aluno depois?. Waleska Lima Bezerra, dez anos, estuda na rede pública de ensino e assim como milhares de outros alagoanos descobre números, história, letras e ciências nas páginas dos livros didáticos que anualmente chegam ao Estado. Além de aprender, a jovem estudante também tem a missão de cuidar muito bem dos livros que recebe. ?A gente encapa tudo e devolve novinho no fim do ano?, garante a irmã mais velha de Waleska, Valquíria, 13. Ela sabe a importância de cuidar dos volumes. ### Alagoas recebe cinco milhões de livros Se os estudantes têm a missão de cuidar bem dos livros, cabe aos Correios a missão de fazê-los chegar a cada recanto do País onde funcione uma escola. E não apenas chegar, mas chegar a tempo para que cada criança, adolescente e adulto possam começar o ano letivo com os livros a postos. O vaivém de caminhões e vans nos Correios do Tabuleiro, em Maceió, denuncia o ritmo de trabalho que as paredes do grande galpão escondem. São toneladas de livros que, desde outubro, chegam a Alagoas e devem ser despachadas para todos os municípios do Estado até 15 de fevereiro. O ritmo frenético de trabalho não é para menos. Os Correios têm de distribuir cerca de cinco milhões de livros didáticos em Alagoas este ano. VA ///