Economia
D�lar fecha em alta, apesar das medidas do BC
São Paulo ? A moeda norte-americana fechou ontem a R$ 3,21, 0,15% mais cara do que na quarta-feira, apesar do pacote de medidas do Banco Central que retira dinheiro dos bancos e estanca a sangria de recursos dos fundos de investimento ? um dos principais ?pedidos? do mercado. A história é semelhante à que ocorreu com o pacote de R$ 30 bilhões do Fundo Monetário Nacional (FMI) para o Brasil na última semana, que antes de ser anunciado era visto como um bálsamo para o mercado e, ao se tornar realidade, teve efeito apenas um dia sobre as cotações. Desta vez, o efeito durou somente uma manhã, o que mostra que o principal problema do mercado não é falta de dinheiro, excesso de especulação nem problemas com os fundos de investimentos nos bancos ? as três frentes atacadas com as duas medidas. O problema do mercado, apontaram operadores e analistas, é a falta de crédito para as empresas. Foram as empresas ? aquelas que estão endividadas no exterior ou que precisarão fechar negócios de exportação lá fora ? que compraram a moeda ontem, encarecendo seu preço. Também foram as empresas, que não conseguem mais rolar suas dívidas em dólar, que produziram em julho uma alta do dólar superior à que foi vista em todo o primeiro semestre, 23%. O mercado ainda aguarda o detalhamento sobre as novas linhas de crédito às empresas exportadoras que serão abertas pela autoridade monetária via bancos, anunciado nesta semana pelo ministro Sergio Amaral. Mas muitos exportadores cansaram de esperar um dólar mais barato e resolveram fechar negócio. Em uma corretora de São Paulo, um operador que nos últimos dias fechava negócios pequenos apenas, de US$ 500 mil, afirmou que ontem os negócios maiores, de até US$ 10 milhões, reapareceram. Índice da Bovespa O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem em queda de 1,71% aos 9.183 pontos, o menor nível desde 3 de março de 1999, época da desvalorização do real, quando encerrou aos 9.154 pontos. O índice teve a quinta queda consecutiva. Nos últimos cinco pregões, acumulou baixa de 11%. No ano, a Bovespa amarga uma desvalorização de 32,3%. O volume de negócios somou R$ 424,623 milhões. O mercado paulista operou na contramão dos índices americanos. O Dow Jones, da Bolsa de Nova Iorque, subiu 0,85%. A bolsa eletrônica Nasdaq avançou 0,79%.