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Moacir considera Canal do Sert�o uma utopia

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ROBERTO VILANOVA O projeto do Canal do Sertão é inviável técnica e economicamente, na avaliação do ex-governador e ex-secretário Nacional de Irrigação, Moacir Andrade. ?Eu vou morrer, você vai morrer, meus filhos vão morrer, seus filhos vão morrer e esse canal não sairá. É impossível se construir um canal com cento e trinta e sete quilômetros de extensão, no semi-árido?, disse. Moacir lembrou que durante o período em que ocupou a Secretaria Nacional de Irrigação ( governo Collor) chegou a propor a redução do projeto, para viabilizá-lo em módulos que beneficiariam uma parte da área proposta atualmente. ?Não quiseram, insistiram no projeto megalomaníaco e o resultado está aí; a obra não anda, porque o projeto é caro e inviável, pelo menos na dimensão que se propõe?, avisou. Impasse Iniciado no governo Geraldo Bulhões, em 1994, o Canal do Sertão teve a obra paralisada em 95 ( governo Suruagy), que alegou a necessidade de se analisar o projeto sob os aspectos de viabilidade técnica, econômica e financeira. Na época, o canal estava orçado em 250 milhões de dólares. Foi criada uma comissão especial para estudar o projeto ? a comissão concluiu pela viabilidade do canal, mas o governo alegou na época falta de recursos para executar a obra. O ex-secretário nacional de Irrigação defende um projeto de irrigação para o semi-árido alagoano e critica o fato de Alagoas ser o único Estado banhado pelo Rio São Francisco que não dispõe de irrigação pública no Sertão, mas adverte: ?Temos de ter os pés no chão. Vamos pensar no que é viável, no que se pode executar não só porque é possível obter os recursos, como garantir o atendimento eficiente à população sertaneja. Para mim é melhor implantar módulos de irrigação dentro dos padrões adotados por outros Estados, que tentam uma proposta absurda, impossível de ser realizada, a não ser que o objetivo seja o de continuar enganando os sertanejos?, recomendou. Além disso existe o impasse com a Agência Nacional de Água ? ANA ? que exige a definição, por parte do governo alagoano, sobre quem vai pagar a conta da água consumida. No comunicado ao governo do Estado a ANA foi clara, ao dizer que em hipótese alguma o governo federal subsidiará os custos, muito menos vai autorizar o uso gratuito da água. O custo da irrigação está a 4 reais o metro cúbico, o que torna o benefício inacessível à maioria. Quimera Há outro impasse: o Comitê de Bacia do São Francisco, a quem compete autorizar o uso da água do rio para qualquer finalidade. O comitê está previsto para ser instalado ainda este mês e o seu presidente, o naturalista José Theodomiro, já advertiu que toda discussão sobre projetos que usarão a água do Rio São Francisco não passa de quimera. ?Sem a autorização do Comitê de Bacias, nada feito?, advertiu ele em entrevista à GAZETA, durante seminário para debater o Rio São Francisco, promovido no começo do ano pela Universidade Federal de Alagoas ? Ufal ? em Xingó. Para os nativos, que viram a manifestação política em torno do projeto, no começo do mês, em Delmiro Gouveia, o anúncio da retomada da obra não passa de pirotecnia. ?Eu duvido eles fazerem esse canal. Só quem não tem juízo ou é muito inocente pode acreditar numa obra dessa. Guardada as devidas proporções, é como fazer um Canal de Suez no Sertão?, posicionou-se o engenheiro José Cláudio Mafra, funcionário da Cohidro, empresa sergipana de abastecimento d?água e saneamento. Cláudio cita o exemplo do Projeto Califórnia, que tem apenas quatro quilômetros de extensão, foi implantado na década de 1980 e só agora está sendo ampliado em mais seis quilômetros. ?O máximo que vamos chegar são vinte quilômetros de canal, beneficiando os municípios de Canindé do São Francisco, Porto das Folhas e Poço Redondo. Não podemos ir além disso?. O projeto do Canal do Sertão, que foi adotado pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco ? Codevasf ? pretende levar até água da margem do Rio Moxotó até Arapiraca, beneficiando uma população de 700 mil pessoas que moram em 35 municípios. ?Isso é uma piada, uma quimera?, tornou o engenheiro, desdenhando do projeto anunciado pelo governo alagoano . Outro detalhe O engenheiro José Cláudio chamou a atenção do projeto lançado pelo governo de Pernambuco, para expansão da irrigação no semi-árido pernambucano. ?Não sei como anda esse projeto, mas sei que há proposta para que os dois projetos se fundam, o que seria racional. Mas observe que, enquanto o governo pernambucano está apresentando um projeto para um canal de vinte quilômetros até Inajá e Tacaratu, o governo de Alagoas apresenta o projeto para 137 quilômetros. Não dá para acreditar, por uma razão simples: de onde virá tanta água? Quem vai bancar o projeto?? Outro que não acredita no Canal do Sertão é o economista José Gentil Malta, ex-consultor do Banco Mundial, que acrescenta mais um detalhe: ?O Canal do Sertão é um projeto caríssimo, custa mais do que todo o orçamento do Banco Mundial para o Nordeste. Para você ter uma idéia, o orçamento do Banco Mundial é de 200 milhões de dólares, este ano, para todo o Nordeste. O projeto do Canal do Sertão em Alagoas, só ele, custará 600 milhões de dólares. Quem vai bancar o projeto??, indagou o economista, que tem outra proposta para irrigar o semi-árido

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