Economia
Alagoas debate os desafios do pr�-sal
O Instituto Arnon de Mello (IAM) abre, na próxima quarta-feira, 14, a discussão sobre os reflexos da descoberta do pré-sal para a região Nordeste, em um seminário que reunirá, no Hotel Ritz Lagoa da Anta, alguns dos principais especialistas no assunto. Em suas explanações, eles devem oferecer subsídios para fomentar o debate sobre esse novo foco da economia nacional, entre representantes do governo, empresários, líderes de classe, representantes de instituições de ensino e estudantes. E é nesse debate que devem aflorar respostas para perguntas que começam a povoar o imaginário brasileiro: o que é mesmo esse tão falado pré-sal? Como ele vai impactar na economia do País? Como a exploração no Sudeste pode se refletir no Nordeste e em Alagoas? Quais as profissões que ganham mais impulso com a perfuração do pré-sal e a exploração do óleo encontrado lá em grande quantidade? O que fazer para aproveitar as oportunidades que isso trará? Professor alerta para falta de mão de obra técnica Para o engenheiro civil e professor universitário Eduardo Setton, coordenador-geral do Laboratório de Computação Científica e Visualização (LCCV) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o pré-sal é muito mais do que Rio de Janeiro e São Paulo. Está impactando no mundo, e vai provocar reflexos em todo o Brasil, inclusive no Nordeste, desde a formação de mão de obra, até o impulso no desenvolvimento econômico. Na sua avaliação, o País tem um prejuízo histórico na formação de engenheiros e técnicos nessa área. ?Tanto que já se observa uma grande invasão de profissionais de outros países na região Sudeste, numa corrida para trabalhar no pré-sal, antes mesmo de começar a ser explorado. Isso é um alerta para a necessidade de formação de mão de obra técnica e especializada?, diz ele, destacando um dos primeiros impactos da descoberta. FA Estados nordestinos devem se beneficiar com royalties O economista e professor universitário Cícero Péricles divide em dois grupos os Estados brasileiros, na relação com os impactos econômicos que virão do petróleo da camada pré-sal. De um lado, estão os Estados situados na ?província petrolífera?, que se estende do Rio de Janeiro a Santa Catarina. Do outro, os que ficam fora dessa geografia. ?Por uma razão lógica, os centros de pesquisa e de administração, as refinarias, os portos, a própria indústria naval de construção e reparação ficam nesses Estados do Sudeste e Sul; Alagoas está distante da ?província petrolífera? do pré-sal. Na nossa região, não podemos esperar os mesmos impactos industriais e na área de serviços?, diz ele. FA Reservatório fica a sete mil metros O termo pré-sal refere-se à faixa do globo terrestre localizada abaixo da extensa camada de sal existente nas porções marinhas de grande parte do litoral brasileiro, com potencial para a geração e acúmulo de petróleo. Para entender a denominação, você tem que imaginar a constituição da esfera terrestre de dentro para fora. Nesse caso, a camada onde serão exploradas as novas reservas de petróleo vem antes da camada de sal que, em determinadas áreas, atinge espessuras de até 2.000 metros. Contando ainda com a lâmina de água, sedimentos oceânicos e outras camadas da terra, inclusive a chamada pós-sal, de onde já se extrai o petróleo por meio de plataformas marinhas, a profundidade dos reservatórios de óleo existentes no pré-sal pode chegar a mais de 7 mil metros abaixo do nível do mar. FA Litoral alagoano pode ter jazida Por enquanto, ainda não há estudos que apontem para a existência de reservatórios de petróleo na camada de pré-sal do Nordeste brasileiro, mas já existem teses que apontam para essa possibilidade. O economista e professor Evilásio Soriano, por exemplo, busca fundamentos para sua tese na origem do planeta e na posterior divisão dos continentes por fendas e fissuras da crosta terrestre, que depois se transformaram em mares e oceanos. Ele lembra que o noroeste do continente africano era colado à costa do Nordeste brasileiro, tendo, portanto, as mesmas características geológicas. E se lá estão os maiores produtores de petróleo da África, aqui no Nordeste também haveria potencial para tanto. FA ?Moeda brasileira será valorizada? | PATRÍCIA BARROS - Repórter Na próxima quarta-feira, 14, Alagoas colocará o Nordeste no cenário nacional de discussão sobre o pré-sal. Alguns dos principais representantes e especialistas no assunto estarão em Maceió para explanar e debater o início desse novo horizonte exploratório, durante o seminário Os reflexos da descoberta do Pré-sal no desenvolvimento do Nordeste, que acontecerá no Hotel Ritz Lagoa da Anta. Promovido pelo Instituto Arnon de Mello, em parceria com a Petrobras, o evento vai abordar temas como ?O marco regulatório e a nova empresa estatal?, ?Fundo social e capitalização da Petrobras? e ?Os reflexos da descoberta do pré-sal no desenvolvimento do Nordeste?. O objetivo é promover um amplo debate, envolvendo líderes empresariais, acadêmicos, políticos, técnicos e demais interessados, permitindo à sociedade conhecer os diferentes aspectos desse projeto decisivo para o crescimento do País.