Economia
Sem instala��es adequadas, porto perde transatl�ntico
Maceió parece ter entrado, definitivamente, na rota dos cruzeiros marítimos. Na última temporada de verão, que se encerrou em 30 de março, quase 120 mil passageiros (e 34 mil tripulantes) de diferentes nacionalidades, passaram por aqui a bordo dos 59 navios de várias bandeiras, que ancoraram no Porto de Maceió, incrementando o turismo local. Os números praticamente dobraram em relação à temporada anterior, quando passaram por aqui 31 navios. E na agenda do porto para o próximo verão já estão previstos 71 cruzeiros marítimos. Esse movimento ascendente, que tem sido observado a cada verão, anima o trade turístico, abrindo novas perspectivas para a economia da cidade, movimentando setores como o artesanato, restaurantes e passeios, e deixando a promessa de um retorno mais promissor. Setor produtivo acaba arcando com os prejuízos Na gestão do turismo, Estado e município comemoram os números da última temporada de cruzeiros marítimos. ?Recebemos um volume de passageiros 70% maior do que na temporada anterior?, diz a secretária-ajunta do Turismo no Estado, Danielle Novis. ?A tendência que sentimos nas feiras do setor é de que esse movimento continue a crescer. Esses navios ficavam parados em seus países de origem, porque lá, esse período é de baixa temporada. E a avaliação é de que o aproveitamento na costa brasileira deu certo?, observa Claudia Pessôa, secretária municipal de Turismo, acreditando que isso pode gerar decisões sobre investimentos futuros, do governo federal. Além disso, destacam elas, existe a tendência de que essa modalidade de fazer turismo avance nos próximos anos, com a perspectiva concreta de que os navios se tornem leitos adicionais para a Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Porto não tem projeto para terminal Na avaliação do diretor da Empresa Alagoana de Terminais (Empat), José Luiz Leão, o turismo é uma fonte de desenvolvimento, e o seu crescimento deve ser estimulado, mas tem que haver condições para isso, sem prejudicar outros setores. ?Nós temos apenas um terminal de carregamento de açúcar a granel, que está sempre em operação. No período da safra, de setembro a março, o volume de exportação é bem maior, e o movimento também. E isso coincide com a temporada dos cruzeiros - de novembro a março - trazendo alguns transtornos. Se o navio de passageiros chega, como ele tem prioridade, o de açúcar tem que se afastar, ficar parado. E existem multas pesadas para quem extrapolar o tempo de contrato?, diz José Luiz Leão. A Gazeta apurou que a taxa de ?sobrestadia?, como se fala no porto, pode chegar a U$ 25 mil/dia. Na avaliação da administração do porto, o prejuízo afeta, também, a classe trabalhadora dos estivadores, que são avulsos.