Economia
Hidrel�trica de Belo Monte: cara e pouco produtiva
São Paulo, SP ? A hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, Pará, será a usina que produzirá menos energia, proporcionalmente à capacidade de produção, e que terá maior custo para os investidores na comparação com outros empreendimentos de grande porte, em razão da intensidade dos impactos sociais e ambientais na região, na avaliação de especialistas na área consultados pelo G1. Na terça (20), o governo realizou, em meio a uma batalha jurídica, o leilão que definiu o consórcio que fará a construção e venderá a energia da usina de Belo Monte, o Norte Energia. O grupo é liderado pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), que tem 49,98% de participação, e mais oito empresas de construção e engenharia. Após o leilão, algumas informações indicavam que a construtora Queiroz Galvão e a J. Malucelli pensavam em sair do consórcio, mas as empresas não confirmaram. Empreendimento deve suprir demanda de consumo futuro Especialistas em energia elétrica destacam que Belo Monte é importante para atender ao crescimento da demanda de consumo previsto para os próximos anos, mas concordam que a produtividade da hidrelétrica é baixa. Para o engenheiro Silvio Areco, da consultoria Andrade & Canellas, especializada em energia e com atuação direta em hidrelétricas, o percentual considerado bom para os investidores da energia firme em relação à capacidade instalada é de 55%. ?Se fizer uma relação entre a capacidade de gerar energia e a energia assegurada, a de Belo Monte é menor. Vai precisar instalar muito mais máquinas, mas vai produzir menos energia relativamente. Vai ter relativamente menos energia do que nas outras hidrelétricas e com preço similar?, afirma Areco. Impacto é maior na questão social São Paulo, SP ? Na avaliação do engenheiro Luiz Pereira de Azevedo Filho, que foi de Furnas e atualmente é secretário-geral do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), embora haja previsão da variação da produção de energia ser elevada em Belo Monte, o principal problema são as questões socioeconômicas. ?Vejo que os impactos socioambientais são os que influenciam para tornar a obra menos viável economicamente, do ponto de vista de investimento. Mas esse é um preço que vamos ter que pagar daqui para frente para fazer usinas da Amazônia, um empreendimento menos atrativo?. Azevedo Filho afirmou que as usinas do Rio Madeira, Jirau e Santo Antônio, que estão em construção, são ?menos complicadas? porque a vazão do rio é constante. O secretário do Ilumina diz ainda temer que o custo da obra seja maior do que o previsto, mas acredita que fique bem abaixo dos R$ 30 bilhões especulados.