Economia
A classe C vai �s compras em Alagoas
Aparelho de celular, televisão de LCD, internet, máquina de lavar, e até um carrinho usado, na garagem da casa própria adquirida recentemente, com as facilidades do programa Minha Casa, Minha Vida. O perfil socioeconômico da chamada classe C está mudando e se tornando atrativo para grandes investidores, seja do mercado imobiliário ou do comércio varejista, que começam a tomar o rumo de bairros periféricos nos centros urbanos, onde está grande parte desse segmento social. Em Maceió, o Shopping Pátio, que se instalou na região do Benedito Bentes, é o exemplo mais emblemático dessa tendência, que traz consigo, também, supermercados, clínicas de saúde e beleza, faculdades, empreendimentos imobiliários, lojas de departamento, entretenimento, e a sensação de que tudo isso não é tão inacessível quanto parecia. Emergentes dão o tom à economia alagoana Na avaliação do economista Cícero Péricles, esses números mostram que a classe C, reforçada por boa parte da classe D, constitui o grande polo dinamizador do comércio. Mas nem sempre foi assim. O que as pesquisas mostram, avaliando situações como renda, posse de bens, hábitos de consumo e relações de comércio, é que esse processo vem evoluindo de uns anos para cá, com o aumento do poder de compra dessas família, confirmando, não apenas que a classe C ? antes considerada a classe pobre ? hoje ganha status de classe média, mas também que um significativo movimento migratório de uma classe para outra mais alta. Famílias não abrem mão de eletrônicos, moto e casa própria E quem são essas famílias que constituem as classes C e D alagoana? Na concepção do economista Cícero Péricles, o conjunto da chamada ?população de baixa renda? era ? e continua sendo ? constituída por famílias pobres; em geral, migrantes rurais de primeira ou segunda geração, moradores da periferia das cidades, com pouca escolaridade e, portanto, sem muita formação profissional. Recorrendo ao conceito de outros colegas economistas, ele diz que, no Brasil, o segmento ?C? significa carteira de trabalho, crédito, computador, casa própria e mais alimentos, e destaca que, em Alagoas, alguns produtos revelam essa nova renda e mobilidade social. A moto, por exemplo, passou de 50 mil unidades em 2003, para 130 mil, na atualidade; e o número de aparelhos celulares pulou de 300 mil para 2,4 milhões este ano. Segmento impulsiona comércio e serviços Os reflexos desse novo perfil são perceptíveis na economia. Se por um lado, essa nova dinâmica integra milhões de brasileiros ao universo dos consumidores, por outro, dinamiza as empresas voltadas ao atendimento dos chamados segmentos C e D. E como esses segmentos consomem, basicamente, serviços e produtos fabricados internamente (nacionais), esse fenômeno gerou uma dinâmica mais forte na economia brasileira, segundo a avaliação do economista Cícero Pericles. Ele mostra que, em Alagoas, por exemplo, o fenômeno do crescimento do poder de compra das classes C e D é responsável tanto pelo aquecimento dos setores de comércio e serviços, como alguns ramos da indústria que atendem a demanda popular de móveis, roupas e alimentos. Beleza e bem-estar em até 12 vezes Os motivos que levaram à implantação no Shopping Pátio, são os mesmos que levaram à instalação, no local, de um moderno centro médico para consultas e procedimentos particulares, em diversas especialidades médicas, inclusive estética, distribuídas em seis clínicas, com cerca de 40 profissionais, que atendem das 7 às 22 horas. ?Primeiro, o fato de estar no shopping, que é lugar de grande circulação de pessoas, e com todo conforto e segurança; depois, a constatação de que esta é a área que mais cresce em Maceió; e porque é aqui onde está um grande número dessa nova classe C; um público com renda entre mil, dois mil reais, que não é pobre o suficiente para depender do SUS, e nem rico o suficiente para as tarifas cheias dos atendimentos particulares?, diz o executivo Fernando Costa, administrador do Centro Médico, e sócio da clínica de estética Beleza e Bem Estar.