Esportes
Gangues do futebol p�em em xeque poder p�blico
?O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.? A emblemática frase dita certa vez pelo pastor batista e líder na defesa dos direitos civis e defensor da justiça social Martin Luther King bem poderia ser a síntese de um episódio que entrou para uma triste registro da cena futebolística e urbana de Maceió, semana passada. Como um atentado e uma afronta ao estado democrático de direito e uma quase desmoralização de autoridades que têm o dever de salvaguardar o bem público, os motoristas de ônibus de Maceió que fazem o percurso do Estádio Rei Pelé deixaram de circular, no último domingo, por causa dos constantes quebra-quebras dos coletivos em dias de jogos e demais ameaças. A suspensão para o trajeto da maior praça de esportes do Estado, no Trapiche da Barra, onde jogavam CSA e São Luís, pela Segunda Divisão de Alagoas, foi em protesto contra a violência aos motoristas, cobradores e passageiros, frequentes vítimas das arruaças e gangues infiltradas em torcidas organizadas dos times da capital, no caso CSA e CRB. Moral da história: a célebre frase de Luther King foi lembrada porque os arruaceiros parecem ter ?ganho? uma guerra em que nem instituições de credibilidade como o Ministério Público (MP) e a Polícia Militar foram ainda capazes de evitar ou deter. ?Confrontos? ocorrem em vários locais O então comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), Mário da Hora, exonerado do cargo na última quinta-feira, estava à frente da corporação quando houve a determinação do sindicato dos rodoviários para os ônibus não circularem nas imediações do Rei Pelé, domingo, dia do jogo CSA x São Luiz. Inclusive, foi ele quem comandou o esquema de segurança neste dia e afirmou que os confrontos de torcedores e apedrejamentos dos coletivos não acontecem somente no Trapiche. Mário da Hora apontou os pontos considerados críticos: Benedito Bentes, Santa Amélia, Bebedouro, Jacintinho, Ponta da Terra e Praça do Pirulito. ?Nesses locais acontecem mais os ataques. Mas há outras localidades em que são registrados problemas, como Barro Duro, Cruz das Almas, Jatiúca e Centro?, revela. ?Torcidas organizadas são discriminadas? ?As torcidas organizadas são discriminadas assim como os integrantes do Movimento Sem-Terra (MST). O Estado é incompetente e inoperante, não dá segurança e educação à população e usa esses movimentos como bode expiatório para justificar a violência, por exemplo?. A firmação é do assessor de Comunicação da Comando Alvirrubro, maior torcida organizada do CRB, Arimatea Lafayette. Segundo ele, não se pode associar os atos de vandalismo às torcidas organizadas. ?Isso é uma questão social e de polícia. A violência no Estado está desenfreada e isso não é responsabilidade das torcidas?, afirmou. Mancha Azul repudia atos violentos A Macha Azul, maior torcida organizada do CSA, e a Comando Alvirrubro, maior organizada do CRB, são tachadas por muitos de violenta e quando ocorrem atos de vandalismo nas ruas, nos ônibus e nos estádios, em dias de jogos, os nomes que vêm à mente das pessoas são os de ambas, apesar de seus respectivos dirigentes não concordarem com tal associação. ?A gente não pode se responsabilizar por atos praticados por pessoas que vestem a camisa da torcida e não são cadastradas. Não temos como impedir que essas pessoas comprem os nossos produtos. Os integrantes da Mancha estão sendo cadastrados e os que ainda não são, estamos providenciando. Inclusive, já entregamos esse cadastro à Polícia Militar e ao Ministério Público e vamos entregar o restante que for feito?, afirmou o presidente da Mancha Azul, Vanderli Nunes. CSA: prejuízo no jogo da 2ª Divisão O presidente do CSA, Jorge VI, lamentou o fato de os ônibus terem deixado de circular até o Trapiche, domingo passado, quando houve, no Estádio Rei Pelé, o jogo CSA x São Luiz, pelo Alagoano da 2ª Divisão. Por causa da falta de coletivos, o público no estádio foi pequeno: apenas 3.696 torcedores. A renda bruta foi de R$ 21.255. ?Tivemos prejuízo financeiro. Dessa renda o CSA ficou apenas com R$ 800?, revelou Sexto. De acordo com ele, a diretoria do clube estimava uma renda de mais de R$ 70 mil. ?Então o CSA ficaria com um lucro de R$ 50 mil. E o público que esperávamos era em torno de oito mil pessoas. Infelizmente, a torcida não compareceu, por causa da falta de ônibus?, disse.