Esportes
� bola no p� e droga no lixo no Ouricuri
A bola rola no chão quente, sob um sol escaldante. Os jogadores, crianças entre 6 e 16 anos, misturam-se numa folia organizada que tem o objetivo de driblar a sedução de outros adolescentes viciados em drogas. O piso da quadra tem um buraco a cada metro. Mas nem isso impede que corram, gritem e lutem para marcar o gol. Todos fazem parte do projeto ?Bola no Pé, Droga no Lixo?, desenvolvido no Conjunto São Sebastião, antigo bairro do Ouricuri, próximo ao Prado. Os sonhos que cercam a proposta são capitaneados pelo auxiliar de fiscalização da Eletrobras Cláudio de Oliveira Santos, 48. Bolinha, como é mais conhecido, cresceu no bairro. Ele mesmo já sentiu na pele o que é perder parentes para as drogas. Por isso, passou a se dedicar, em todas as suas horas vagas, para apresentar o esporte como alternativa para as crianças. Apesar do projeto, perigo ronda crianças De acordo com as informações apuradas pela Gazeta, na região há muitos adolescentes e crianças que já foram cooptados para o tráfico. Inicialmente, como a oferta é fácil, a criança se vicia e em pouco tempo está roubando para pagar o vício. A pressão social de quem sucumbiu ao vício é tão grande, que enquanto a bola rolava na quadra, ao fundo, três jovens consumiam maconha sem medo. Entre uma tragada e outra, só deixaram o local depois que terminaram de fumar. ?Isso não é só aqui não. A droga também é consumida num terreno próximo ao Emissário Submarino. Lá queremos fazer algo maior com o apoio da Casal?, disse Bolinha. No contato que manteve com a direção da empresa, foi orientado a se tornar pessoa jurídica. Foi assim que nasceu a Organização Não-Governamental Sociedade Unida de Promoção do Desporto e Cultura de Paz.