Esportes
MEMOR�VEIS CONQUISTAS NO GP BRASIL
MAIKEL MARQUES / RAIMUNDO NONATO O jóquei sertanejo que desfilou seu talento por hipódromos da Argentina, Peru, Venezuela e Chile ganharia mais notoriedade ao bater o recorde de vitórias no GP Brasil de Turfe. Venceu por cinco vezes a principal competição do turfe nacional: O Grande Prêmio Brasil, nos anos de 1979, 1982, 1986, 1987 e 1990. Uma marca difícil de ser alcançada por qualquer outro profissional. ?Não foi fácil, mas consegui?, diz, sorriso aberto, o jóquei que agora cavalga a paisagem sertaneja e seria eternizado no imaginário do torcedor por uma frase simples, mas de efeito, que ecoava aos quatro cantos do Hipódromo da Gávea sempre que o jóquei disparava na ponta e estava prestes a vencer mais uma corrida: ?Lá vem o Juvenal?, uma criação de Ernâni Pires Ferreira. ?Ele (o locutor oficial do Hipódromo da Gávea) usava a frase quando eu iniciava uma atropelada até ganhar a ponta. Era uma alegria só nas arquibancadas ?, comenta. O GP do Brasil foi disputado pela primeira vez em 1933, com vitória do cavalo nacional Mossoró. Nos anos seguintes, o predomínio foi dos cavalos estrangeiros, com destaque para os potros argentinos, que conquistaram 22 vitórias, sendo 10 delas seguidamente, entre 1949 e 1958. Cavalos do Uruguai (5), Chile (1) e França (1) também venceram. Desde 1997, entretanto, o domínio brasileiro é quase total. Nas últimas 24 provas, apenas em 1995, uma montaria estrangeira cruzou o disco em 1o lugar, com o cavalo argentino El Sombrador. ?Fora de série? Sobre Juvenal Machado da Silva, um depoimento importante, o de Galvão Bueno, um dos mais acreditados profissionais da imprensa esportiva do Brasil: ?O jóquei Juvenal Machado da Silva, durante 32 anos, mostrou como um homem deve montar um cavalo de corridas. Juvenal se despede das pistas com um currículo de fazer inveja: mais de quatro mil vitórias, sendo cinco delas no Grande Prêmio Brasil. Nunca um jóquei ganhou tanto quanto ele a maior prova de turfe do país. J.M. Silva - era assim que seu nome aparecia nos programas do Jóquei - nasceu com raro talento. Foi gênio. Numa hipotética comparação com o futebol, pode-se dizer que ele foi o Garrincha dos hipódromos. Graças às suas vitórias o turfe ganhou muito espaço na mídia. Durante anos ele manteve rivalidade sadia com Jorge Ricardo, outro jóquei talentoso. Mas, por Juvenal, confesso, sempre tive admiração especial. Quantas vezes vi cavalos medianos correrem barbaridade, graças à sua tocada sensível e enérgica. Os cavalos simplesmente disparavam. Das cinco vitórias no Grande Prêmio Brasil, jamais poderei esquecer da conquistada em 87, com o tordilho Bowling. Juvenal ganhava com incomparável categoria. Foi craque. Fora de série?.