Esportes
Um g�nio do turfe
MAIKEL MARQUES / RAIMUNDO NONATO O turfe, o esporte das corridas de cavalo, escreveu seu nome na galeria dos grandes jóqueis. Fez história. Uma história brilhante e traduzida em números expressivose impressionantes, ao longo de 32 anos de profissão. O alagoano que desde cedo mostrou talento correndo no lombo de um jumento alcançou a impressionante marca de 4 mil vitórias em carreira que começou em 1978 e terminou em 24 de março de 2002. Detentor de talento incontestável, Juvenal Machado da Silva obteve no turfe uma marca difícil de ser alcançada: cinco vitórias no GP Brasil de Turfe. Recém-aposentado, vive agora nas fazendas que adquiriu na cidade de Delmiro Gouveia (285 km de Maceió). Cuida de bois, cavalos e outros animais, além de atuar como empresário no ramo de alimentação. Juvenal, entretanto, não esquece jamais os gloriosos momentos vividos, principalmente, no Rio de Janeiro. Chapéu de vaqueiro na cabeça, sorriso fácil nos lábios e muita atenção a quem lhe dirige a palavra, o jóquei alagoano Juvenal Machado da Silva vivia acostumado ao fervilhar da cidade grande e agora habita modesta residência na zona urbana de Delmiro Gouveia, Sertão de Alagoas. Quem ?bate prosa? com o jóquei e pouco acesso teve às notícias do desporto nacional pode não perceber, no homem de hábitos simples, o verdadeiro fenômeno que foi. Sorridente, Juvenal Machado da Silva, que deixou o Sertão de Alagoas em julho de 1970, passou três dias ?vendo muita estrada? Brasil afora com a idéia de materializar um sonho: tornar-se não apenas um vencedor no esporte que escolheu como profissão, mas também na ?corrida da vida?. ?Tinha 16 anos e saí de Alagoas num ônibus, por volta das 14 horas de um domingo. Cheguei ao Rio de Janeiro numa terça-feira, na ?boquinha da noite?. Corri a cavalo 32 anos e agora estou de volta à terra que tanto amo?, resume. ?Você leva jeito? Sentado à sombra de uma algaroba plantada próximo ao curral de sua fazenda, localizada próximo ao trevo Maria Bode, em Delmiro Gouveia, Juvenal Machado contou à GAZETA que desembarcou no Rio de Janeiro na época em que o Brasil acabara de ser tricampeão mundial de futebol. Sem nunca ter saído de sua cidade natal, o futuro campeão dirigiu-se então ao Hipódromo da Gávea, a convite de quatro primos que o haviam visitado em Delmiro e, depois de vê-lo correndo, montado num jumento. Eles afirmaram: ?Juvenal, você leva jeito e pode ser um bom corredor?. ?Fiquei animado com o julgamento?, acrescenta. A profecia, meio em tom de brincadeira, seria levada a sério pelo jovem sertanejo. Passados sete meses de muita observação e treinamento, Juvenal ingressaria na escolinha de turfe do hipódromo, em fevereiro de 1971, para só vencer uma corrida nove meses depois. A primeira vitória ocorreria em novembro daquele ano. ?A comemoração foi muito grande?, recorda. Vencido o primeiro obstáculo, Juvenal seria freqüentador cativo do primeiro lugar em corridas de cavalo. Fraturas Não fossem as conseqüências das inúmeras fraturas obtidas ao longo dos 32 anos de carreira, Juvenal Machado da Silva, hoje com 47 anos, poderia correr a cavalo pelo menos mais cinco anos. ?Não parei pela idade e sim por problemas físicos?, diz o atleta, referindo-se à perda de equilíbrio no joelho direito, operado duas vezes. ?Perdi o equilíbrio e não poderia sobrecarregá-lo fisicamente. Com o passar do tempo, ganhei peso e excedi o peso ideal (54 quilos) para a função. Não tive alternativa senão encerrar a carreira?. Prematuro Não fazia parte dos planos de Juvenal encerrar a carreira neste momento. Mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelas inúmeras fraturas por todo o seu corpo ? ?quebrei a clavícula cinco vezes?, comentou ?, o jóquei ainda tinha planos de disputar competições por mais cinco anos e encerrar a carreira aos 52 anos. ?Independente do que houve, aproveitei muito bem a vida pessoal e profissional e já estava preparado para um momento que acabou chegando com antecedência de cinco anos?, declara o atleta.