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Flamengo gasta R$ 1 milh�o a�mais do que arrecada por m�s
Rio - A receita básica do bolo financeiro é equilibrar arrecadação/gastos. Mas o Flamengo, por conta de administrações anteriores, desafia qualquer regra simples de economia: mensalmente, o clube tem gastado, em média, R$ 1 milhão a mais do que arrecada. A contabilidade do Rubro-Negro no mês de agosto deixa às claras o déficit. Enquanto entram nos cofres R$ 4,7 milhões, os gastos chegam a R$ 5,4 milhões. Não diferente do mês de setembro: R$ 2,2 milhões arrecadados, com custos de R$ 3,6 milhões. Os seqüentes tropeços administrativos ficam às claras no passivo do Flamengo: a dívida alcança os R$ 200 milhões, 50% são de ordem fiscal ? impostos que os três candidatos à presidência pretendem renegociar com o governo. ?Tem que parcelar dívida, renegociar. Ser um mágico. Não deixei de pagar ninguém?, diz o presidente em exercício, Gilberto Cardoso Filho. ?Não se pode gastar mais do que se recebe?, completa. Mas é o que o Flamengo tem feito. A principal fonte de receita rubro-negra é a Globo Esportes, que paga anualmente cerca de R$ 11 milhões, entre direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro e do Torneio Rio-São Paulo. A Nike desembolsa R$ 4,8 milhões em duas parcelas, mas o dinheiro, além de ter acabado, está em parte comprometido para pagamento da dívida com o Corinthians referente à compra de Edílson (R$ 100 mil). Ainda tem a Petrobras, mas, dos R$ 600 mil pagos, R$ 200 mil vão direto para Petkovic, do Vasco, por conta do acordo na rescisão do contrato. E, por fim, o clube põe no cofre R$ 600 mil com as escolinhas. Estas poderiam até ser fontes de receitas viáveis para a saúde financeira se a falta de planejamento não fosse uma herança ingrata. Além da despesa corrente, só com acordos judiciais e extra-judiciais, o clube paga R$ 832 mil/mês, nos quais constam dez técnicos, inclusive o atual, Evaristo Pretendido no início deste semestre, Romário aparece como o maior credor do Rubro-Negro, pois cobra na Justiça indenização de R$ 18 milhões pela rescisão do contrato em 1999. A dívida com os clubes por direitos federativos também se acumula. Apesar do aporte financeiro da ISL, ex-parceira, o Flamengo deve a Corinthians (Edílson), Coritiba (Mozart) e Atlético de Madrid (Gamarra).