Esportes
O dia em que o artilheiro saiu pela porta dos fundos
Ao som de frevos e marchinhas, a dançar e balançar o corpo no salão, aquele negro destoava dos ricos que ?pulavam? o carnaval no Clube do CRB, na Pajuçara. Educado e manso no trato com as pessoas, ele era o único jogador negro do time que tinha acesso ao local onde só os ?bem- nascidos? daquela região da cidade podiam entrar. Estava se divertindo muito naquela noite. Havia chegado ao CRB com fama de artilheiro, logo confirmada nos primeiros jogos. Em meio ao som dos metais da orquestra, um diretor do clube lhe chama no canto do salão e diz: ?Xavier, olha, não leva a mal, mas você não vai poder mais ficar aqui. Tem outros negros lá na porta. Se virem você aqui, nós não teremos argumentos para impedir a entrada deles?, explicou meio sem jeito o dirigente. Sem criar confusão, cabeça baixa, pelo canto do salão, José Augusto Xavier, o grande centroavante Xavier, o Flecha Negra, deixou o clube pela porta dos fundos. O caso aconteceu num passado não tão distante. Essa história de preconceito é de 1965. Foi contada pelo próprio Xavier, em entrevista à Gazeta. ?Olha, pra falar a verdade, eu não liguei. Isso é armada de gente que não tem educação, que não entende que nós, brancos e negros, somos irmãos e não há diferença entre nós?, diz Xavier ao recordar o episódio.