Esportes
Ousado, Bangu abre espa�o para negro no time
Quando chegou ao Brasil, no fim do século 19, o futebol era esporte de rico. A correr no gramado atrás da bola e a vibrar nas arquibancadas estava apenas a aristocracia da época. Os times de futebol Brasil afora surgiram das elites. O esporte bretão parecia criado para excluir pobres, fossem negros ou brancos. O primeiro time brasileiro que ousou colocar um negro na equipe foi o Bangu. Francisco Carregal, um centroavante habilidoso, inaugurou a saga dos negros na luta por um lugar ao sol dentro dos gramados brasileiros. Time da aristocracia carioca, em 1914, o Fluminense tinha em seu elenco o jogador negro Carlos Alberto. Antes de ir para as Laranjeiras, ele jogava no América do Rio de Janeiro, time do subúrbio carioca. No Fluminense, para disfarçar a cor, Carlos Alberto caprichava no pó, antes das partidas. As torcidas adversárias não perdoavam. ?Pó de Arroz! Pó de Arroz! O apelido terminou passando para o clube. Cinco anos depois, surge o jogador que é considerado o primeiro ídolo do futebol brasileiro. Seu nome: Arthur Friedenreich. Era mulato, de cabelos crespos e tinha os olhos verdes.Filho de pai alemão e mãe negra, ele foi o autor do gol que garantiu o primeiro título do futebol brasileiro, o Sul-Americano de 1919. Para os pesquisadores, o ano de 1923 marca o início de uma nova era no futebol brasileiro. Vindo da 2ª divisão do Campeonato carioca, o Vasco da Gama conquista o título da primeira divisão com um time que tinha em sua formação quatro negros: O goleiro Nelson Conceição, Bolão, Ceci e Nicolino. O time venceu o Fluminense duas vezes. Foi um escândalo. As torcidas de Flamengo e Botafogo se uniram aos tricolores contra aquele time que dava espaço para os párias da sociedade.