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Walkiria Simone: primeira mulher a assumir o TJD-AL

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Primeira mulher a presidir o Tribunal de Justiça Desportiva de Alagoas (TJD-AL), a advogada Walkiria Simone Ramalho, 48, foi aclamada no dia 30 de janeiro para comandar aquela corte, onde convive com seus oito colegas auditores do Pleno, dez integrantes das duas Comissões Disciplinares ? sendo cinco em cada uma ? e mais dois procuradores. Nesta entrevista, Walkiria Simone diz que sente-se à vontade em comandar o órgão que julga os atos de indisciplina cometidos no futebol alagoano. De voz calma, jeito tranquilo, mas com posições firmes, foi dela o voto decisivo que manteve o CSA na 2ª Divisão do Alagoano de 2010, em sessão realizada em dezembro de 2009. Neste entrevista, ela fala sobre como é comandar o TJD-AL, como recebe as críticas e como é o relacionamento com os demais colegas auditores. Gazeta. A senhora é a primeira mulher a dirigir o Pleno do Tribunal de Justiça Desportiva de Alagoas (TJD-AL). O que isso representa para a senhora como advogada? Walkiria Simone. Sempre estive envolvida com o esporte e a junção com o Direito foi um detalhe que completou meu currículo profissional. Mais que isso, é uma realização pessoal, onde tenho convivido realmente com pessoas capacitadas juridicamente, não apenas em face de uma formação acadêmica, mas pelo amor ao futebol-arte, por estudar o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) apenas pelo prazer e que sabem discernir e influir com eficaz persecução no que mais preservamos, que é a democracia na Justiça Desportiva para que o futebol jamais deixe de ser arte. Como a senhora recebeu a aclamação pelos seus pares para assumir o cargo? No início, foi uma novidade e um desafio, primeiro aceitar a indicação do Tribunal Pleno, para fazer parte do TJD-AL em uma de suas comissões, pois não sabia exatamente como seria recebida pelos colegas, mas ao tomar posse vi que é um grupo sério, com o objetivo de contribuir com o futebol alagoano e que a presença feminina era apenas um detalhe, o que também sinto ao assumir agora a presidência desse Tribunal Pleno. É claro que fico honrada. O grupo mostrou confiança e quero retribuir da melhor forma, dando continuidade ao trabalho que vinha sendo feito pelos meus colegas. A senhora está no TJD-AL desde quando? Foi indicada por qual entidade? O tempo exato que faço parte do TJD-AL, vou ficar te devendo. Tenho de 7 a 8 anos. Como falei anteriormente, primeiro recebi o convite do então presidente do Pleno, Dr. Breno Lins, e nos outros anos permaneci ao ser indicada pela Federação (Alagoana de Futebol), seguindo o que determina o CBJD, em seu artigo 5º. É uma espécie de desafio ou a senhora sente-se, de certa forma, íntima do cargo, por ter sido vice-presidente na gestão anterior e por conhecer os atalhos? Tudo é desafio quando se vive pela primeira vez. ?Essa é a minha primeira vez?, nada é íntimo, ou possui atalhos, claro que tive excelentes antecessores, dr. Breno, dr. Talvanes, dr. Diogo, que considero meus professores em Direito Desportivo, onde mostraram como conduzir da melhor forma as situações. O CBJD em 2009 sofreu suas mudanças, o Direito e os times se renovam. Isso faz com que um ano não seja jamais igual ao ano seguinte. Vou obedecer nesse novo desafio ao que diz o CBJD, como sempre é feito, mas conduzindo de forma discreta as decisões que forem necessárias. Uma questão que veio à tona foi a sessão administrativa extraordinária recente, que deu posse a novos auditores, e que surpreendeu pela indicação ao Pleno de pessoas que, sabe-se publicamente, que não possuem curso de Direito ou que não têm conhecimento ou intimidade com o meio jurídico desportivo. Como a senhora recebe esse tipo de situação? A questão do curso de Direito, o CBJD, em seu artigo 4º e 4º A, é claro quando diz que o STJD e as comissões deverão ser compostos por pessoas de reconhecido saber jurídico desportivo e de reputação ilibada, o que temos comprovadamente em nosso TJD-AL. Não tenho dúvida em relação aos novos auditores quanto às exigências, pois pelo que tenho conhecimento são pessoas envolvidas com o esporte, estudantes de Direito e profissionais do Direito, o que satisfaz as exigências do CBJD. Certo. O CBJD diz que para ser auditor do TJD não precisa ter o curso de Direito, bastando que tenha notório saber jurídico desportivo. Mesmo assim, não existe algum mecanismo que impeça os órgãos que indicam os auditores do Pleno de indicarem tais pessoas? O maior interesse dos tribunais desportivos, acredito eu, é ter pessoas compromissadas com o futebol. Essa questão de possuir o curso de Direito não devemos descartar e é importante, sim, para nós profissionais, mas quem vive a realidade nesses tribunais percebe que só o saber jurídico desportivo não tem de forma nenhuma prejudicado quando não está acompanhado do diploma em Direito.

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