Esportes
De Alagoas para o Rio nasce um mito do futebol mundial
?Amaro e Maria Carolina deram-se conta de que tinham um filho vivendo em estado selvagem (...). A partir dali, começaram a civilizá-lo. E a civilização não era o elemento de Garrincha. A graça estava em driblar, apenas driblar. Estava no futebol em estado selvagem e lúdico, que era como os índios jogariam se soubessem?. A frase acima está no primeiro capítulo do livro Estrela Solitária ? um brasileiro chamado Garrincha, onde o jornalista Ruy Castro disseca a saga da família do craque, estudando os movimentos migratórios indígenas, baseado principalmente nos estudos do etnólogo alagoano Estevão Pinto. Boa parte das informações contidas no livro, sobre as raízes indígenas de Garrincha, foi repassada pelo técnico da Fundação Nacional do Índio (Funai) Marcos Fulniô, 50 anos, filho do cacique João Francisco dos Santos. Ao lado do pai, em Águas Belas, Marcos conta que foi contatado por telefone pelo autor do livro, que pediu sua ajuda nas pesquisas sobre a ancestralidade de Mané Garrincha, após obter a informação da família de Garrincha sobre sua tribo original. ?E eu corri atrás. Além da pesquisa, o mais importante foram as entrevistas e as conversas que eu tive com os velhos da aldeia, como seu Nésio, então com 86 anos, uma enciclopédia ambulante, que sabia de tudo, inclusive sobre as famílias que correram para Alagoas, em Quebrangulo, uma palavra yathê, a língua genuína dos fulniôs (quebro e engulo)?. De acordo com Marcos, se as coisas estavam de mal a pior em Pernambuco, com a perseguição implacável dos coronéis aos aldeamentos fulniôs, ?foi o povo de Alagoas que nos recebeu de braços abertos, por isso, temos uma gratidão enorme?.