Esportes
Cafuzo, filho de �ndios das Alagoas
As duas migrações da família de Mané Garrincha ? primeiro, a diáspora fulniô, quando fugiram de Águas Belas, em Pernambuco, para as regiões agrestinas e sertanejas de Alagoas, e a segunda, quando a família parte para o Rio de Janeiro ? foram determinantes para que Garrincha se tornasse conhecido e mostrasse seu maravilhoso futebol. Porém, são claros e cristalinos os vínculos espirituais, comportamentais e biológicos de Mané Garrincha com sua descendência mestiça, como um cafuzo filho de índio das Alagoas e do Pernambuco. Senão, vejamos: O apetite sexual (Garrincha teve 14 filhos ? 11 meninas e três meninos ?, um deles sueco), dezenas de amantes, entre elas vedetes do teatro de revista, uma cantora famosa (Elza Soares) e mulheres simples e suburbanas ? como Nair, a mulher que lhe deu oito filhas; a tendência atávica ao alcoolismo (desde bebê, a mãe de Garrincha lhe dava o cachimbo ?medicinal?, que misturava mel de abelha com aguardente). Os traços de seu lado de índio indomável continuam com o gosto pela caça e pela pesca ? deixava-se fotografar com espingarda e uma corda de passarinhos abatidos na mão. Sua simbiose com a natureza selvagem, seu jeito puro de ser, de corpo aberto, com bermuda e descalço, jogando bola nas clareiras das florestas; ingênuo no trato com dinheiro; irresponsável com seus compromissos sociais (era como um adulto com personalidade de criança, inimputável, como os índios).