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CASTANHA DEIXA 30 MIL PESSOAS AT�NITAS
Ele não era nenhum Garrincha, nem tampouco jogador de futebol, embora um dos seus principais instrumentos de trabalho tenham sido as carreiras que dava, além da indumentária contendo sprays, gelo e outros apetrechos na bolsa que usava no seu ofício. Mas nasceu com algo que se assemelhava ao imortal Anjo das Pernas Tortas. Embora não tenha se notabilizado dentro de campo, fincou seu nome fora dele, ao marcar uma época e se tornou lenda, com sua forma peculiar de atender aos jogadores de futebol, ao menor sinal de contusão. A torcida ? fosse a rival ou a do seu time ? ia à loucura com as corridas do massagista das pernas tortas. Cícero Lopes de Araújo, o Castanha, 69 anos, ex-massagista, é o personagem desta semana nos arquivos do esporte. Portador do que popularmente se chama de ?zambeta? e cientificamente explicada como ?Geno-Valgo? ou ?Genuim-valgus?, em latim, suas pernas tortas ariscas disparavam feito raio e estavam ali para fazer os primeiros socorros, tanto aos craques como aos pernas de paus do futebol, por mais de 20 anos de carreira. Foi massagista de clubes como Guarani do Poço, CSA (onde passou 90% de seu trabalho e clube do coração) e CRB, onde, ironicamente, encerrou a carreira e com o qual aprontou sua maior peripécia. Com ele, jogadores, técnicos, dirigentes e crônica esportiva viveram algumas histórias de bastidores. Era e ainda é um bon vivant, sempre de bem com a vida apesar de alguns problemas de saúde que tem enfrentado. Mas nas aventuras desta vida de boleiro, nada que se compare ao dia 8 de abril de 1976. Nessa data, Castanha entrou definitivamente para história do imaginário futebolístico alagoano.