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T�cnicos com trajet�rias opostas na grande final
São Paulo - A final do Brasileiro-2002 entre Corinthians e Santos, neste domingo, no Morumbi, vai colocar dois técnicos com trajetórias opostas: Emerson Leão é um ex-jogador, e Carlos Alberto Parreira, um estudioso do futebol. O corintiano é formado em educação física e tem diploma de técnico pela Escola Nacional de Educação Física e Desportos. No início, começou como preparador físico, com passagem por grandes clubes e também pela Seleção Brasileira. Parreira foi o responsável pelo condicionamento físico da Seleção Brasileira nas Copas de 1970 e 74, quando Zagallo era o treinador. Nos dois mundiais, Leão foi um dos goleiros convocados. Tri Leão, que começou a carreira no Palmeiras, foi três vezes campeão nacional - duas vezes pelo Palmeiras (1972 e 73) e uma pelo Grêmio (1981). Também vestiu a camisa do Vasco, Corinthians e Sport. Enquanto Leão se destacava como um dos melhores goleiros do País, Parreira dava seus primeiros passos como treinador. Sua primeira experiência aconteceu na África, em 1967, comandando a seleção de Gana. Pela seleção africana, foi vice-campeão da Copa Africana de Nações, em 68. No entanto, no ano seguinte, voltou ao País para trabalhar como preparador físico, no Vasco. Em 70, estava no Fluminense, na conquista da Taça de Prata. Parreira continuou trabalhando como preparador físico até 1974. No ano seguinte, assumiu o comando do Fluminense, sendo campeão carioca. Em 1976, deixou o clube e foi para o Kuait, onde permaneceu até 1982. Tropeço Na sua volta ao Brasil, assumiu pela primeira vez a Seleção Brasileira, mas foi mal e acabou logo substituído. Leão, que na época jogava no Corinthians, foi um dos atletas chamados por Parreira no período em que esteve na seleção. ?O Leão é um amigo. Fez um belíssimo trabalho à frente do Santos?, elogiou Parreira. Em 1984, de volta ao Fluminense, pegou o time na reta final do Brasileiro, no lugar de Carbone, e conquistou o título. Já Leão havia voltado ao Palmeiras. Três anos depois, encerrou a carreira no Sport. No clube pernambucano, iniciou como treinador, sendo campeão brasileiro em 1987. A conquista, no entanto, ainda gera muita polêmica, pois nesse ano a Copa União teve dois módulos - verde e amarelo. Para Leão, não há polêmica: o Sport é o campeão brasileiro de 1987 e ele, portanto, está brigando por seu segundo título. Mas analisa: ?Ficaria muito satisfeito em ver um grupo tão jovem ser campeão. Caso isso realmente aconteça, será muito gratificante?. Mas, como Flamengo e Internacional, finalistas do Verde, se recusaram a jogar um quadrangular com Sport e Guarani, finalista do Amarelo, a CBF reconhece, até hoje, o time pernambucano como campeão. Leão depois perambulou por vários clubes, mas sem sucesso. Já Parreira voltou a treinar a Seleção Brasileira, em 1994, e levou a equipe ao título. Em seguida, deixou a seleção e foi trabalhar em clubes da Espanha, Turquia e EUA. Amigos ?O conhecimento pode ser adquirido de várias formas. Eu talvez tenha algumas vantagens sobre o Parreira, por ter sido jogador, conhecendo um pouco mais como funcionam os atletas. Mas o Parreira pode ter um conhecimento maior em outras áreas?, disse Leão, que conheceu Parreira na década de 70 e de quem se tornou amigo. O técnico santista conseguiu novamente destaque em 1997, quando levou o Atlético-MG às semifinais. No ano seguinte, colocou o Santos na mesmo fase. Em 1998, Parreira comandou a Arábia Saudita na Copa da França. Ele voltou ao País em 1999, novamente pelo Fluminense. Depois, passou pelo Atlético-MG, Santos e Internacional. Mas foi no Corinthians que voltou a brilhar, ao ganhar a Copa do Brasil e o Rio-São Paulo, no primeiro semestre. Leão, por sua vez, também tem a chance de terminar o ano como um dos principais técnicos do País, caso consiga levar o Santos ao título, quebrando um jejum de 18 anos sem que o clube da Vila levante um troféu importante.