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EM 50, DEDOS ACUSADORES E UM BODE

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Para Ghiggia ? o carrasco uruguaio de 1950 que tirou do Brasil o título da Copa na casa dos brasileiros ?, não se pode comparar essa derrota acachapante deste 8 de julho (terça-feira) a de 1950 para o seu Uruguai porque, ainda que sofrida, a goleada alemã não foi numa final. ?A derrota de 50 foi numa fase mais importante, foi numa final?, defendeu Ghiggia em entrevista para a Agência Estado. O jornalista e memorialista do esporte Lauthenay Perdigão nunca esteve entre os que crucificaram os craques de 50, muito menos o goleiro vascaíno Barbosa. Por isso, para ele a questão é simples: ?Barbosa nunca deveria ter sido acusado?, afirma ?Lau?, como é carinhosamente chamado pelos amigos. Para ele, o contexto da derrota para os alemães não deve deixar ?traumas? ou nem ficar tão presente na memória como o Maracanazo. Na sua análise, o ?Minerazo?, como alguns estão chamando o massacre alemão por ter ocorrido no Estádio do Mineirão, ocorreu em outra realidade do País. Para Lau, ao contrário da seleção de 50, a atual, a de Felipão, não estava jogando bem e dificilmente venceria a Alemanha. ?Foram jogos diferentes. Épocas diferentes. Em 1950, o futebol não tinha tanto espaço na mídia como tem hoje. A derrota de terça-feira pode pesar mais pelo placar; o maior da história da Seleção Brasileira. A derrota, para mim, não foi surpresa. Na de 50, contra o Uruguai, ninguém acreditava na derrota. Jogávamos pelo empate. Fizemos 1x0 e perdemos por 2x1?, analisa o memorialista. Naquela época, os dedos acusadores, as gozações, aliadas aos julgamentos, foram além das arquibancadas. Fixaram-se como rugas na pele, mas, fundamentalmente, ecoavam nas mentes dos candidatos a heróis.

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