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Ronaldo � o melhor do mundo pela 3� vez

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São Paulo ? Um ano de ouro para Ronaldo Nazário de Lima: pentacampeão mundial com a Seleção Brasileira no Japão e Coréia, artilheiro do Mundial, com oito gols, campeão mundial interclubes com o Real Madrid, fazendo o primeiro gol da final contra o Olímpia. Só isso já faria de 2002 uma época para não ser esquecida. Mas o dia 17 de dezembro ainda reservava uma nova glória para o Fenômeno: melhor jogador do mundo pela terceira vez (1996, 1997 e 2002). Ronaldo somou 387 pontos, contra 171 do goleiro Oliver Kahn, da Alemanha, e 148 de Zinedine Zidane, da França. A votação da Fifa é feita entre os treinadores de todas as seleções nacionais. ?Posso dizer que passei por um ano incrível. Poderiam fazer filmes para Hollywood e escrever muitos livros. Foi uma ressurreição. Durante dois, três anos, não sabíamos o que iria acontecer. Muita gente duvidou que poderia voltar?, afirmou Ronaldo. ?Mas não acredito que tenha sido um milagre. Sempre tive fé e a paixão que tenho pela bola me ajudou muito e por isto acredito que mereço o prêmio?, completou. O terceiro Nascido em 22 de setembro de 1976, em Bento Ribeiro, periferia do Rio de Janeiro, Ronaldo é o terceiro filho do casal Nélio Nazário de Lima e Sônia dos Santos Barata. Para homenagear o médico Ronaldo Valente, que fez o parto, a família resolveu dar o mesmo nome ao filho. A primeira preocupação da família Nazário de Lima surgiu quando o pequeno Ronaldo não conseguia falar. Foram várias consultas a especialistas, mas as primeiras palavras só vieram aos três anos. As preocupações com a saúde sempre foram uma constante na vida do maior craque de futebol do planeta. Os problemas no joelho e a crise convulsiva que teve antes da final da Copa da França, em 1998, são bons exemplos disso. Sua primeira tentativa de entrar para o mundo do futebol aconteceu aos 14 anos. Foi até ao Flamengo, clube do seu coração, tentar um teste. Ninguém deu a mínima atenção para ele. Pior: ainda teve o seu relógio roubado e levou a maior bronca quando voltou para casa. O São Cristóvão aceitou o que o Flamengo desprezara. Em dezembro de 1993, já no Cruzeiro, é convocado pela primeira vez para a seleção principal. A oportunidade abriu as portas para o Mundial de 94, nos Estados Unidos. ### Trajetória vitoriosa começou em 94 São Paulo ? Levado pelo técnico Carlos Alberto Parreira, Ronaldo passou a Copa do Mundo de 1994 apenas sentado no banco. Mesmo assim, os holandeses do PSV Eindhoven resolveram apostar no seu talento. Mas no segundo ano na Holanda, Ronaldo sofreu sua primeira contusão no joelho. Ele pensava que era apenas um mau jeito, mas, na verdade, o problema era mais grave: apofisite titbial, um problema bastante comum para jovens que se submetem a cargas físicas de trabalho excessivas na fase de crescimento. Em fevereiro de 1996, a primeira cirurgia deveria ser feita. Mas o Fenômeno pensou na Olimpíada, voou para o Rio de Janeiro e fez quatro meses de tratamento intensivo com Nilton Petrone, o Filé. Está pronto para jogar. Mas isso custou caro no futuro. Voltou para a Holanda, mas foi deixado na reserva. Perdeu a semifinal olímpica para a Nigéria, em Atlanta, ficou muito abatido, mas assinou um contrato milionário com o Barcelona. Nessa época, começou a namorar Suzana Werner. As constantes discussões com o treinador Louis van Gaal o fizeram optar por nova transferência: foi para a Inter de Milão. A experiência européia havia transformado o menino Ronaldinho no maduro Ronaldo. O Mundial da França de 98 esperava pela consagração definitiva de um grande craque. Quatro anos depois do título conseguido como reserva, o rapaz de Bento Ribeiro era uma estrela mundial: adorado, mimado, invejado.... Mas o destino pregou uma nova peça no maior craque do mundo. Na final, contra a França de Zidane, Ronaldo teve uma convulsão. Levado para o hospital, o jogador, por sua própria vontade, decidiu entrar em campo. A sua decisão não foi acertada. O que se viu em campo foi uma silhueta de Ronaldo, nada mais. Apático, abatido, ele foi presa fácil para os franceses que, visivelmente, se preocupavam com seu estado de saúde. Antes, durante e depois da final, o mal-estar de Ronaldo torna-se mais comentado que o triunfo de Zidane e da sua equipe. Depois da final, o brasileiro adota uma postura radical: um mês de férias. Mas as dores no joelho direito, que o começaram a incomodar durante o Mundial, pioram. Na volta para a Itália, ele não consegue mais esconder o problema de ninguém. Nesse período, ele rompe o namoro com Suzana Werner e se aproxima de Milene Domingues, que seria sua futura mulher. No início de 1999, o joelho volta a doer, mas Ronaldo consegue jogar. Mas o pior acontece quando, numa partida contra o Lecce, o joelho direito sofre um rompimento de ligamentos. O futuro imediato é uma cirurgia. E ela acontece. O atacante teria que ficar, no mínimo, quatro meses sem jogar. Ele volta para o Brasil e se casa com Milene. Cheio de esperança, Ronaldo faz uma previsão: ?O meu filho vai me ver a jogar?. Dia 12 de abril de 1999 tinha tudo para ser de glória. Copa da Itália, semifinal contra a Lazio. As câmeras de TV de todo mundo registram uma cena patética, terrível: o joelho do Fenômeno se abre. A contusão é das mais sérias da história do futebol: rompimento total dos ligamentos patelares. A recuperação é lenta, quase dois anos. Volta a Inter, mas Hector Cúper, o treinador argentino, não o coloca para jogar. Luiz Felipe Scolari resolve apostar tudo no talento. Ronaldo é convocado, vai para o Mundial: é campeão e artilheiro. Na volta decide deixar a Itália. O Real o compra. Ele voa para o Japão com seu novo clube e ganha o Mundial Interclubes. O segundo título mundial no mesmo ano. A coroação do rei do planeta bola veio com a escolha de melhor jogador do mundo. Uma escolha mais do que justa. O treinador Luiz Felipe Scolari votou no inglês David Beckham em primeiro, depois no francês Zidane e em seguida no português Figo. Os técnicos não podem votar em jogadores de suas seleções. Médicos Ronaldo dedicou o prêmio da Fifa à equipe médica que o ajudou a se recuperar dos problemas de contusão que o atormentaram nos últimos dois anos. ?Há milhões de pessoas a quem eu gostaria de dedicar esse prêmio, mas eu agradeço principalmente aos médicos que me trouxeram de volta ao futebol depois de dois anos muito difíceis. São eles o meu médico Gerard Saillant, o doutor Franco Combi, da Internazionale, e o fisioterapeuta Nilton Petrone?, declarou Ronaldo. ?Também dedico este prêmio à minha família, aos meus amigos e a todos que acreditaram em mim?, completou o atacante, único jogador a ser eleito o melhor do planeta em três temporadas - 1996, 1997 e 2002. ?É um título muito gratificante, especialmente depois de dois anos de dúvidas e contusões. Eu estava preocupado apenas em poder voltar a jogar, mas agora é tão bom quanto eu sonhava que poderia ser?, comentou.

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