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Marcos Careta v� futebol�com poucas mudan�as
Raimundo Nonato/Repórter A torcida do CRB ainda guarda boas recordações de Marcos Antônio Leite da Rocha, que no futebol era conhecido como Marcos Careta. Ele foi um dos bons zagueiros que passaram pela Pajuçara. Era respeitado pela seriedade como encarava os jogos e admirado pela virilidade que disputava as divididas. Chegou a ser considerado um jogador violento, rótulo que ele não aceita. ?Eu era um zagueiro duro, que levava o futebol muito a sério. Essa imagem de jogador violento não faz sentido. Nos anos em que joguei futebol, jamais criei problemas sérios com os atacantes e nunca tive inimizades. Eu sempre fui duro nas jogadas, mas visava à bola, nunca o jogador. Jamais fui desleal?, afirma. Qualidade Fazendo uma comparação entre o futebol praticado em sua época com o de hoje, Marcos vê mudanças apenas no sistema de jogo. ?Na minha época, se jogava com três zagueiros, com os ponteiros bem abertos. Hoje o time joga com um ou no máximo dois atacantes, com os laterais sendo mais exigidos uma função que poucos fazem com perfeição?. Quando compara o time em que atuou com o CRB deste ano, ele é categórico. ?O de minha época tinha mais qualidade. Tinha jogadores como o goleiro César, o atacante Joãozinho Paulista e o ponteiro Silva, entre outros. Hoje o jogador recebe uma melhor preparação física, mas a qualidade deixa muito a desejar. Foi o que faltou ao CRB para ir mais além no Brasileiro?, explica. Ele cobra, inclusive, uma política mais eficiente do clube nas divisões de base, com investimento mais forte nos garotos da casa e buscando novos talentos em campos da periferia. Todos ganham com isso e os exemplos estão aí: no Santos, com Robinho, Diego e outros; no CSA, com Adriano, Cleiton, Geninho e Rubiano; e no CRB, com Wagner Wesley, Saulo, Belchior e Valdiran. O que não pode acontecer é um clube contratar dez ou quinze jogadores para uma competição e depois desfazer a equipe. O que deve ser feito é revelar e vender jogadores?, finaliza. Marcos Careta jogou no CRB de 1970 a 1983, tendo começado na escolinha, transferindo-se nesse mesmo ano para o ASA, onde encerrou a carreira prematuramente, com 27 anos. Nunca deixou de ir aos estádios. Principalmente, nos jogos do CRB pelo Campeonato Brasileiro. ?O time esteve muito perto da classificação e a derrota para o América/RN, no Rei Pelé, foi fatal para a eliminação. O CRB tinha um bom time, mas as peças de reposição não estavam à altura dos titulares. A meu modo de ver, faltou também um jogador mais criativo no setor do meio-campo para dar mais assistência ao Marquinhos, que ficava muito isolado e era obrigado a voltar para buscar a bola, quando deveria recebê-la redondinha na área para marcar mais gols?, garante. Jogando pelo CRB, cos conquistou quatro título como profissional, quando o time chegou ao tetracampeonato alagoano (1976/1979). Trabalhou depois como técnico, no São Domingos (86), Ferroviário (88) e CRB (89), para onde voltou em 92, nos juniores. Marcos Careta hoje é consultor de imóveis, autônomo, fazendo bons negócios num mercado em franco crescimento, mas não o suficiente para se ficar milionário.