Esportes
Velejadores buscam a consagra��o em uma aventura in�dita e perigosa
São Paulo - Roberto Pandiani, de 45 anos, 18 deles no setor de entretenimento; Duncan Ross, engenheiro civil sul-africano, de 39 anos; Makoto Ishiabe, brasileiro com ascendência oriental, de 42 anos, alpinista e cinegrafista; e Júlio Fiadi, 42 anos, fotógrafo e velejador. Você deve estar se perguntando o que quatro pessoas totalmente diferentes têm em comum? Simples, o amor por aventuras radicais. Desde o dia primeiro, partiram para uma aventura inédita: atravessar o Estreito de Drake, entre a América do Sul e a Antártida, um dos pontos mais perigosos da navegação mundial, em busca da consagração do audacioso e corajoso projeto, que é alcançar o Círculo Polar Antártico em barco sem cabine. Betão, como é conhecido entre os amigos, e Duncan velejam em um Hobie Cat 21, um catamarã de 21 pés, 10 horas por dia. A previsão é de chegada na Antártida, no dia 1º de fevereiro. O período de navegação será entre 50 e 80 horas. Makoto e Júlio ajudam no apoio num veleiro de 63 pés, o Kutic 2, conduzido por Oleg Beli, navegador com experiência de ter ido 15 vezes à Antártida, o que significa ter superado o Brake por 30 oportunidades. Vão gerar energia, prestar socorro. ?Se cometermos um erro, morremos. O apoio é para tirar a possibilidade de risco de perder a vida,? afirma Betão, ex-sócio de casas noturnas famosas, como Aeroanta e BASE, que resolveu deixar a vida boêmia pelo amor à rota do sol. Começou a velejar há 21 anos, com amigos, para passar o tempo e eliminar estresse. Acabou se apaixonando e largando tudo pelo desafio, sempre em viagens caras, algumas longas. O custo aproximado desta cruzada é de R$ 500 mil. O dinheiro vem dos patrocinadores ? Semp Toshiba, Água Cristal, Visa e Revista Náutica. É a terceira ?grande? aventura de Betão. E a mais curta, ?apenas? 1.000 milhas, porém a mais difícil e imprevisível. Em 94, superou 7.500 milhas, de Ilhabela a Miami. Em 2000, a rota de 4.500 milhas foi entre o Rio e Puerto Montt. Para 2004, está prevista a conquista do Pólo Norte 5.500 milhas, de Miami à Ilha Baffin. Por medida de segurança, o Satellite, nome do novo barco, tem alguns ?reforços? em relação ao barco das duas primeiras aventuras. O material do barco é o kevlar, uma fibra mais resistente. As dimensões foram ampliadas. O Satellite é 40 cm mais larga e tem 70 cm a mais de mastro. A viagem começou no dia primeiro, quando partiram de São Paulo, rebocando o Satellite, rumo à Ushuaia, na Argentina. Serão aproximadamente oito dias. Farão, ainda, 15 dias de adaptação no Canal de Beagle, entre Argentina e Chile. O objetivo é a aclimatação. Depois, navegam 100 milhas até a Ilha Herschel, próxima do temido Cabo Horn, onde aconteceram 80 naufrágios. Lá, aguardam sinal de Pierre Lasnier, meteorologista francês. ?Precisamos encontrar a janela de tempo para partir, podemos esperar por até 10 dias?, diz Betão. Cada dia parado é um a menos na Antártida. Para passar o tempo, velejarão na região. A temperatura deve ser entre 1 e 2 graus positivos. ?O verão na Antártida é muito curto. Esta é a época ideal, pois logo o gelo bloqueia as passagens?, enfatiza Júlio, profundo conhecedor do local ? já esteve lá 6 vezes. A maior dificuldade, além das condições climáticas, é a precariedade da segurança. ?Lá, a criança chora e a mãe não escuta?, compara. ?Não há nada perto para resgatar. Em 2002, um rapaz deixou o acampamento para urinar, deu dez passos e não conseguiu achar mais a barraca. Morreu congelado?. A segurança é primordial. Por isso, os velejadores serão monitorados por Oleg 24 horas por dia, pela Internet. Haverá, ainda, contato telefônico de três em três horas. Contra o cansaço, revezarão para dormir. De duas em duas horas.