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DITADURA N�O ACHAVA A MENOR GRA�A, MAS DEPOIS SE RENDEU AO HUMOR
Quando chegou a época mais forte da Ditadura Militar naqueles longínquos anos 1960 ? especificamente o ano de 1968 ? ao ser instituído o famoso Ato Institucional número 5, o AI5, houve bastante problemas para a trupe que fazia as gracinhas do ?Ora, Bolas!?. Para se ter uma ideia do que isso significou, foi escalado um sensor da ditadura para tomar conta do que era escrito no programa e, naturalmente, determinar o que sairia e o que seria vetado do programa. A censura prévia era feita com 48 horas de antecedência. Qualquer coisa fora dos eixos que desagradasse ao espião da ditadura, o corte no texto era fatal. ?Tínhamos que mostrar o script do programa já na sexta-feira ao sensor?, conta Ailton Vilanova. ?Engraçado é que, certa vez, um sensor mais curioso queria saber como era feito o programa no estúdio. Jorge Vilar foi o responsável por dar todas as informações ao homem do então regime ditatorial instalado no Brasil nos chamados ?anos de chumbo?. ?Rapaz, só sei que o Jorge, com aquele jeito gaiato que tinha, passou a conversa no cidadão. Contou causos e mais causos e o cara terminou por ser convencido a não pegar no pé do programa e liberar a maior parte das piadas. Era um negrão que achou tão engraçado os scripts do programa que chegou a dizer que não iria mais vetar nada. ?Ah! Deixa essa merda rolar solta, vocês são engraçadíssimos??, conta Vilanova, ao se referir ao tal espião.