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Travessia no Estreito de Drake � conclu�da

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São Paulo - O brasileiro Betão Pandiani, 45, e o sul-africano Duncan Ross, 39, são os primeiros velejadores do mundo a atravessar o Estreito de Drake em um veleiro sem cabine. A marca foi conquistada por volta da 1h30 da madrugada de sábado, quando o veleiro Satellite chegou à Antártida depois de 4 dias de viagem por um dos mares mais temidos do mundo. ?A emoção ao chegar é indescritível. Não foi fácil, apesar de termos aproveitado uma janela de tempo perfeita?, comenta Betão Pandiani. Momentos de ansiedade, alegria, indisposição e alucinações foram alguns dos fatos marcantes da viagem. A saída do Satellite ocorreu no dia 4 de fevereiro, depois de serem consultados três serviços de meteorologia. ?A competência dos serviços francês e americano é fantástica. Se tivéssemos demorado uma hora a mais na decisão teríamos ficado, no mínimo, mais uma semana na Caleta Martial?, afirma Betão. A travessia começou por volta das 14h, depois de um trabalho intenso de preparação e grande ansiedade. ?São muitas coisas envolvidas, não poderíamos errar?, comenta Duncan. O primeiro dia de velejada foi o mais difícil. Apesar da experiência e dos cuidados médicos, Betão e Duncan foram surpreendidos por um dos elementos mais inconvenientes de uma velejada: o enjôo. A escopolamina via transdérmica, um pequeno adesivo colocado atrás da orelha usado para evitar o enjôo, não fez efeito. ?Não é uma condição de velejo normal. Tem muita ansiedade e adrenalina envolvida e, por isso, não deve ter funcionado nas primeiras horas?, conclui Betão. O mal-estar começou à noite e Duncan foi o primeiro a apresentar os sintomas. Em seguida Betão Pandiani, que havia assumido o comando do barco, também não resistiu. A dupla, que tinha velejado apenas 40 milhas, pensou em desistir. ?Estava escuro, frio e os dois passando mal. Claro que estávamos preparados para a travessia, só não contávamos com esse detalhe?, explicam. Mas foi o pensamento na equipe que deu a eles disposição para seguir em frente. ?Foram dois anos de trabalho e preparo. Uma equipe inteira trabalhou incessantemente para que a travessia pudesse ser concluída. A família, os amigos e ainda os amigos da Semp Toshiba, Água Crystal e Visa, todos confiaram em nós, não podíamos voltar atrás?, desabafa Pandiani.

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