Esportes
Neymar e Dunga s�o alvo de cr�ticas
Há algo de estranho na Seleção Brasileira, e não é o futebol. Ou, pelo menos, não só o futebol. Fora de campo, peças fundamentais não se encaixam, e isso fica mais evidente a cada reunião do grupo. Os dois maiores exemplos desse ?desencaixe?, hoje, estão no técnico e no capitão. Além de falarem línguas diferentes um do outro, Neymar e Dunga enfrentam resistências, reprovações dentro da Seleção. São casos diferentes. Do atacante, se estranha o comportamento, a conduta de quem age como ?dono do pedaço?, mas tem se ausentado em momentos importantes, algo que não se espera de quem usa a braçadeira e, portanto, é um dos líderes da equipe. O posto de capitão, por sinal, está em xeque depois de mais uma suspensão por um cartão amarelo considerado evitável, assim como sua participação na Copa América Centenário, em junho, nos Estados Unidos. O interesse de ambas as partes ? jogador e CBF ? em negociar sua liberação com o Barcelona para esse torneio, sendo que a prioridade do ano é a busca pela inédita medalha de ouro nas Olimpíadas, já não é tão evidente como há algumas semanas, quando o atacante disse querer jogar as duas. Sobre os ombros do técnico, coloca-se o peso de decisões difíceis, como deixar fora da Seleção os talentosos, porém complexos, Thiago Silva e Marcelo, e também de os próprios jogadores não conseguirem repetir o futebol que os tornou badalados no cenário europeu. Quando trocam os mimos e aplausos recebidos nos clubes pelas críticas e cobranças no Brasil, muitos parecem não entender ? e/ou não concordar ? o argumento repetido por Dunga, da falta de tempo para montar uma equipe capaz de agradar. As reações aos empates com Uruguai e Paraguai ? ambos 2 a 2 ? deixaram claro que, enfim, o mau futebol e as oscilações começaram a irritar, acima de quaisquer outros, os jogadores.