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Teixeira aproveita lentid�o da�Justi�a para se reeleger na CBF

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Rio - Na recente assembléia geral da CBF praticamente ficou definida a reeleição do presidente da entidade, Ricardo Teixeira, para mais um mandato. As eleições estão programadas para julho, e se o fato se concretizar, Teixeira ficará no cargo até 2008, totalizando assim 19 anos à frente da CBF. Porém, até o ano passado ninguém apostaria que ele tentasse mais um mandato. Mergulhado em acusações das CPIs da Câmara e do Senado, que apuraram diversas irregularidades cometidas na gestão de Teixeira, e investigado pelo Ministério Público, o próprio dirigente garantiu que deixaria o cargo em 2003, alegando cansaço. Todavia, a conquista do pentacampeonato mundial e o desejo dos presidentes de federações serviram para dar ?novo fôlego? ao cartola. A questão é que esta decisão de Teixeira, incentivada por 25 dos 27 presidentes de federações (somente Eduardo José Farah, de São Paulo, e Carlos Alberto Oliveira, de Pernambuco, não assinaram manifesto favorável à reeleição), pode ser considerada uma afronta aos trabalhos da CPI e do Ministério Público. Mas Eduardo Viana, presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) e principal articulador da reeleição de Teixeira, não está preocupado com essa situação. ?O lugar onde se decidem as eleições na CBF é na própria CBF e tem que ser assim. Ninguém pode interferir numa entidade esportiva. O Teixeira estava relutando, mas aceitou o nosso pedido. Caso esteja cansado, ele pode se reeleger e depois pedir uma licença, colocando um vice em seu lugar?, afirmou Viana. Resta saber qual será a resposta dada pelas CPIs a mais este gesto da CBF. Relator da CPI da Câmara, instalada para apurar irregularidades somente na CBF, o deputado Sílvio Torres está pessimista quanto ao insucesso da reeleição de Teixeira. Para ele o presidente da CBF continuará no cargo quanto tempo quiser até que a legislação seja modificada. ?Todos nós sabemos que estas eleições em federações e na CBF são umas igrejinhas. Ou seja, o dirigente fica no cargo quanto tempo quiser graças a manobras políticas. Enquanto não se mudar a legislação específica de nada adiantarão estas investigações?, afirmou Torres. Apesar dessa opinião, Torres acredita que o trabalho realizado nas CPIs serviu para que a corrupção nas federações e na CBF diminuísse, mas ele acredita que só uma legislação forte poderá acabar com todo o mal. ?A CPI conseguiu grandes avanços e sugeriu uma legislação mais transparente. Acho que ela conseguiu inclusive inibir a corrupção no esporte, mas para acabar com ela totalmente é necessária uma legislação mais severa?, afirmou Torres. É justamente essa legislação que o senador Álvaro Dias, presidente da CPI do Senado, aponta como solução para impedir gestos como a reeleição de Ricardo Teixeira. Dias inclusive fez críticas ao trabalho do Congresso e do Ministério Público. ?Fica evidente que a CPI tem a função de investigar e sugerir medidas para resolver o caso. O problema é executar essas sugestões. Sugerimos uma legislação firme, que viria para inibir isso através de Medida Provisória. Só que mais uma vez essa MP está sofrendo alterações no Congresso. O Ministério Público vem trabalhando com lentidão e o Governo demorou para agir. Tudo isso tornou o trabalho da CPI sem resultado?, afirmou Dias. Álvaro Dias não desanima, muito pelo contrário. Ele inclusive promete lutar no Congresso para agilizar as medidas contra a corrupção no futebol. ?Retomando os trabalhos no Congresso, vou lutar para que o Legislativo e o Ministério Público trabalhem com mais rapidez. Esse continuísmo no futebol brasileiro tem que acabar?, afirmou Dias, que se afastou do Senado por alguns meses para se candidatar ao governo do Paraná, sendo derrotado no segundo turno.

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