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O C�O DE GUARDA DO AZUL�O
Anjo da guarda é sinônimo de proteção, abrigo, livramento, cuidado... São várias as definições. E dizem que todos nós contamos com o auxílio de um anjo que nos guarda, protege e livra do mal. Mas o personagem de nossa matéria pode ser chamado também de leão de chácara, forma coloquial de designar os encarregados da segurança em boates, festas, discotecas, bingos, entre outros. Ou ainda: de cão de guarda. No caso do nosso personagem, trata-se de um leão de chácara, um cão de guarda de um clube de futebol. Isso mesmo. Ele é aquele que protege os jogadores e a comissão técnica nos treinos, nos jogos, em viagens. É o que sempre acompanha a delegação, por onde quer que o time vá. Enfim, anjo da guarda, leão de chácara, cão de guarda... Tanto faz. Quaisquer das três denominações servem para a função que exerce atualmente no CSA, seu clube de coração, o radialista Mailton dos Santos, 35 anos, o Dino, como é mais conhecido por amigos e familiares. Mailton é radialista formado, fez o curso de Radialista promovido pelo sindicato da categoria, mas não exerce a profissão. Ele diz que se inspirou no também radialista Gerônimo Avelino, operador de áudio da Rádio Gazeta AM. ?A minha inspiração veio do Gerônimo Avelino, ele me ensinou a ser sonoplasta, a mexer na mesa de som. Aprendi tudo, mas não tô atuando?. E o CSA? Onde entra a paixão de Dino pelo Azulão nessa história? Tudo começou, segundo ele, quando foi assistir a um clássico CSA x CRB, no Estádio Rei Pelé, no início dos anos 1990, ainda garoto, levado pelo amigo Edinho, torcedor do CRB. ?Minha paixão pelo CSA vem desde criança e começou nesse jogo. Fomos para o clássico e ficamos na torcida regatiana. Mas o filho desse meu amigo era azulino e perguntou para qual time eu torcia, então eu disse que era CSA e comecei a torcer também. Nesse dia o CSA venceu a partida. Foi aí que fui pegando a paixão por esse clube?, conta Dino, à Gazeta de Alagoas. Naquela época, ele lembra que tinham as torcidas organizadas do CSA Força Jovem e Dragões Azulinos, que depois se uniram e formaram a Mancha Azul. ?Fui integrante da Mancha e cheguei a ser dirigente. Saí da torcida em 2006. Foi quando casei e hoje tenho um filho (Yann Lucas, de 4 anos). Atualmente estou solteiro. Minha família não curte futebol, mas sempre me apoiou. Eles só não gostavam quando eu era da torcida organizada (risos)?. Ele também é taxista. E sua trajetória, até chegar a ser segurança do time de coração, se deu justamente no ofício de dirigir um táxi, em 2014. Ele explica: ?Eu frequentava o Mutange e foi quando comecei a prestar serviços para o clube, como taxista. Ia pegar os jogadores no aeroporto, levar para o Mutange, para a clínica, quando eles precisavam fazer exame médico. Na época, fiz uma boa amizade com o Marquinhos Mossoró ? ex-jogador do CSA e que também exerceu o cargo de diretor de futebol ?, com o então presidente Jurandyr Torres e os dirigentes Raimundo Tavares e Rafael Tenório, que já estavam no clube. Comecei a fazer a segurança dos jogadores nos jogos, mas ainda não era contratado do Azulão?. Em 2015, quando o então presidente era Roberto Mendes e o diretor de futebol era Fabiano Melo, ele continuou prestando serviços para o Azulão, no táxi e como segurança do clube. A contratação oficial veio em 2016, no mês de julho, quando o presidente azulino já era Rafael Tenório. Dino faz a segurança dos jogadores e da comissão técnica. Ele fica nos vestiários, nos treinos, para evitar que alguém ?entre sem ser chamado?, viaja com a delegação e vai para os jogos. ?Posso me considerar um privilegiado. Desci das arquibancadas e estou trabalhando no clube que amo de verdade. Trabalho com amor mesmo. Só trabalha no CSA quem tem amor?, afirma. ?E eu amo esse clube!?. Ao ser questionado se nesse tempo se deparou com alguma situação constrangedora, algum incidente, agressão ou coisa semelhante, ele responde: ?Graças a Deus nunca houve incidentes. Nunca tive que usar a força nem intervir em situações para proteger os jogadores ou a comissão técnica, de algum torcedor mais exaltado?. Apesar da tranquilidade em relação a episódios desagradáveis, o trabalho no clube tem lá suas aventuras. Dino lembra, por exemplo, de um fato interessante que aconteceu em 2016, quando teve que viajar para Teresina-PI, para acompanhar a delegação maruja para o jogo contra o Altos, pela Série D. Eram 25 passagens fornecidas pela CBF e ficaram faltando três: para o roupeiro, para o massagista e para ele. ?O presidente Rafael Tenório alugou um carro e viajamos nós três. Menina, foram 15 horas de viagem daqui até lá! Foi uma saga tremenda. O CSA perdeu o jogo (2x0), mas passou para a próxima fase da competição. Eu nunca esqueço desse dia?.