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OS HOMENS QUE D�O VIDA AOS MASCOTES
O mascote do CRB é um galo de campina. A história conta que na época em que estava sendo construído o antigo estádio do clube, em meados dos anos 1920 ? o Severiano Gomes Filho, na Pajuçara ?, havia no terreno muitas famílias do pássaro. Justamente por causa das suas penas, com a cabeça anterior e garganta vermelhas sem topete, o abdome branco e as costas acinzentadas, que se assemelham às cores do CRB, o passarinho tornou-se o principal símbolo do time. Galo de campina ou cardeal-do-nordeste é uma ave da família Emberizidae, grupo dos cardeais, com cerca de 17 centímetros de comprimento. O mascote do CSA é o azulão, uma ave passeriforme da família Fringillidae. Também é conhecido por azulão-bicudo, azulão-do-nordeste, azulão-do-sul, azulão-verdadeiro... Mede cerca de 15cm de comprimento. O macho possui plumagem totalmente azul-escura quando adulto, com a fronte, sobrancelhas e coberteiras superiores das asas azuis-brilhantes. O historiador e jornalista Lauthenay Perdigão lembra que o primeiro mascote do CSA surgiu nos anos de 1960. Por causa das belas praias de Maceió, o marujo também apareceu como mascote do clube e até hoje o CSA é reconhecido como o time marujo. Mas os anos se passaram e o clube lançou novos mascotes, como a baleia, que não vingou, e atualmente o mascote reconhecido por todos é o pássaro azulão, por causa da pelugem que se assemelha ao uniforme principal do clube. A Gazeta de Alagoas foi atrás dos personagens que incorporam os mascotes dos dois clubes para saber quem está por trás ? ou por dentro ? de suas fantasias durante os jogos dos respectivos times, a fim de conhecer um pouco a vida de cada um. Cleyton Cristiano, 23, é o homem por dentro da fantasia do mascote do CRB, o Galo de Campina. Ele entra em campo com o time e fica na incumbência de animar a torcida nos jogos. Faz esse trabalho desde o início da Série B deste ano. Mas antes o CRB teve outros personagens que ?se vestiram? de Galo de Campina. ?Eu nunca imaginava que um dia seria o mascote do CRB?, revela Cleyton Cristiano, conhecido também como Cebola. Ex-funcionário de uma empresa de ônibus de Maceió e atualmente desempregado, ele conta que trabalhava nas catracas do Estádio Rei Pelé em dias de jogos. Foi justamente o seu jeito divertido e espontâneo que fez surgir o convite para assumir a função de mascote. ?Eu trabalhava nas catracas e o pessoal do marketing do CRB me viu e me chamou. Perguntou se eu queria ser o mascote, vestir aquela roupa. Eu topei?, revela. Esbanjando bom humor, ao ser questionado se a família apoia a função de animador de torcida, Cleyton respondeu: ?Eles (familiares) nem sabem. Vão saber quando lerem essa matéria (risos)?. E acrescentou que todos na família são regatianos, mas têm um pouco de medo por causa da violência nos jogos entre as torcidas organizadas. Cleyton mora próximo do Rei Pelé, no bairro do Trapiche da Barra. Ele recebe R$ 70 por cada jogo em que usa a fantasia do mascote. Diz que faz por amor ao clube do coração. ?Amo muito o meu time!?, declara-se. Sobre a função que exerce sob aquela fantasia, o jovem explica que entra com o time em campo. ?Eu animo a torcida. É isso que eu faço?. E reclama apenas do calor que faz por baixo da vestimenta: ?É terrível! A roupa não pesa, mas é muito calorenta por causa do material em que é confeccionada (risos). Mas eu gosto do que faço?. Várias crianças também entram no gramado com o time e, segundo Cleyton, elas o chamam para tirar fotos. ?Sim, elas pedem para tirar foto, ali antes de ficar na porta do túnel (dos atletas), antes de entrar no gramado. É muito legal!?. Perguntado sobre como anda a confiança em relação ao Galo na Série B, se acredita que o time vai se manter nesta série ou até mesmo se vai subir de divisão, Cleyton cravou: ?Tem que estar (confiante), né? Futebol são 11 contra 11 e temos que estar preparados para tudo, pois uma hora o time joga bem e outra não. É assim mesmo?. E qual o melhor jogador do atual elenco regatiano? Cleyton não titubeou: ?Na minha opinião, até agora está sendo o Chico (atacante). O garoto tá jogando demais!?. Como todo torcedor que se preza, já que entra em campo com o time, Cleyton também aproveita para tietar os atletas. Conversa com alguns jogadores, mas não todos. ?Eu converso mais com o Audálio e com o Olívio?, diz. AZULÃO DO MUTANGE Wanderley da Silva Costa, 32, é o cara que fica por dentro da fantasia do mascote azulino. ?Liro, como é conhecido, conta que assumiu a função a convite de Dino, segurança do CSA. A estreia foi em 19 de fevereiro de 2016, quando o CSA enfrentou o CRB e deu empate: 1x1. ?A roupa do mascote foi adquirida por 36 colaboradores azulinos, que se uniram para patrocinar o mascote oficial. Foram quase 60 dias de produção até a chegada da fantasia para a sua estreia?, revelou Liro, destacando a importância de um dirigente do CSA no processo: ?Isso só aconteceu também por causa do Max Mendes, que me ajuda muito?. Liro é azulino fanático, mas é filho de um torcedor do CRB, que não conseguiu fazer com que ele seguisse a mesma paixão pelo Galo. ?Comecei a ir ao Rei Pelé com meu pai, que é regatiano. Mas eu sempre gostei do Azulão. Eu cheguei a pedir para ele comprar uma camisa do CSA para mim e ele disse ?não?. Então, eu juntei dinheiro e comprei. Era uma réplica, mas para mim já estava ótimo na época?, relembrou, declarando em seguida como foi conquistado pelo time marujo: ?A garra dos atletas e a festa que a torcida sempre faz com o estádio lotado?. O amor pelo Azulão fez o hoje mascote ir aos jogos do time escondido dos pais. ?Na final do Campeonato Alagoano de 1994 fui ao jogo escondido e presenciei o Azulão ser campeão. O problema foi quando cheguei em casa, pois levei uma pisa, por ter ido sem autorização deles (pais). Apesar de tudo, não me abati e só aumentou meu amor pelo CSA?, revelou Liro, que atualmente trabalha como motorista particular. Ele disse ainda que é conhecido por torcedores como ?Mascote Doidão?, por ser alegre e agitar muito os torcedores. ?Nunca passou na minha cabeça ser o mascote do meu clube de coração. Para mim é uma honra?. A Gazeta também conversou com o publicitário Silvano Almeida, responsável pelo desenho do primeiro mascote do Azulão. ?Na época eu trabalhava com o Breno Guimarães, um dos sócios de uma pizzaria, e fazia trabalhos para lá. Quando o Breno assumiu o Departamento de Marketing do CSA, ele tinha como estratégia alavancar a divulgação do clube. Como minha empresa já trabalhava para ele, fui convidado para criar o primeiro desenho oficial do mascote azulino?. Silvano é azulino e para ele foi um momento marcante. ?Foi uma maravilha, pois sempre fui CSA. Pelo carinho que tenho ao clube, foi até mais prazeroso?, declarou. FANTASMA ALVINEGRO No ASA o mascote é um fantasma. A ideia desse mascote surgiu porque, na década de 1960, o Alvinegro se consolidou com dois vice-campeonatos estaduais (1967 e 1970) e se aventurou com excursões pelo Nordeste. Clube desconhecido na região e comandado pelo seu maior craque, Acebílio, vencia os adversários por onde passava, assustando as equipes que não tinham a menor ideia de onde havia surgido aquele time com um manto alvinegro. Daí surgiu o ?Fantasma das Alagoas?. O mascote já foi utilizado em anos anteriores com um personagem vestido de fantasma nos jogos do ASA, mas atualmente não tem sido exibido nas partidas. Segundo o vice de Marketing da equipe, Sérgio Lúcio, o clube está tentando preparar um novo fantasma em uma empresa especializada. Ele revela que alguns torcedores gostariam de mudar o mascote do time, pois consideram-no. ?Alguns falam que o mascote poderia ser um Gigante (em alusão ao ?ASA Gigante?, expressão usada pela torcida e pela imprensa). Estamos analisando isso, apesar de alguns conselheiros e torcedores mais tradicionais não aceitarem a mudança?, observa. ?