Esportes
ARIVALDO MAIA: 50 ANOS FAZENDO ESCOLA NO RÁDIO
Em que pese seu pioneirismo em diversos campos, o locutor esportivo do Timaço da Gazeta Arivaldo Maia não fazia ideia de que atingiria esse reconhecimento internacional quando, ainda adolescente, brincava de narração em uma quadra de futebol de salão, em Palmeira dos Índios. Hoje completando 50 anos na Rádio Gazeta, o comunicador que trouxe o famoso bordão ?a bola que corre com o tempo? conta sobre como sua trajetória profissional corre junto, com a mesma energia, técnica e fascínio pelo trabalho. Arivaldo retrata o começo de sua vida no rádio a partir de um cenário descrito em detalhes visuais. ?Eu ficava em uma castanhola, uma arvorezinha ao lado do campo, com uma latinha de mortadela, narrando os jogos de futebol de salão que aconteciam?, lembra, durante entrevista ao repórter da Gazeta de Alagoas Arnaldo Ferreira. Profissionalmente, a primeira narração ocorreu na Rádio Cacique, atualmente Rádio Sampaio, sediada naquela cidade. Já sua chegada à Rádio Gazeta ocorreu em um trabalho entre CSE e CSA, em 1967, em que trabalhou como locutor de pista. A estreia com narração de Arivaldo Maia foi um evento festivo, literalmente. ?Esse primeiro jogo foi no estádio do Mutange, em uma festa de radialistas, em que jogavam cronistas e árbitros. Eu estava lá participando e Edécio Lopes pediu para eu subir e transmitir o jogo?. A data ficou marcada por ter sido identificado como um locutor revelação em uma carreira que, segundo suas próprias palavras, ?andou pelo mundo inteiro?. E dentro de todo este mundo, um dos eventos transmitidos na memória foi o acompanhamento das primeiras obras que culminaram no atual estádio do Trapichão. ?Sou o primeiro narrador de Alagoas a fazer um jogo ali, na partida inaugural do Estádio Rei Pelé?, registra. ?Fiz uma pergunta a Pelé, que ele considerou inteligente e oportuna. Perguntei se ele imaginava dar nome a um estádio daquela grandeza, porque ele foi lançado como uma coisa fora do comum?, comenta. A resposta de Pelé também foi marcante para Maia. ?Ele respondeu que, quando o avião sobrevoou o estádio, pediu ao comandante que voltasse porque queria ver o estádio outra vez. O comandante deu outra volta e perguntou: ?E agora, o senhor está satisfeito??, e o Pelé respondeu: ?Estou?. E o comandante completou: ?Agora o combustível acabou?. A extensão do Estádio Rei Pelé teve grande repercussão, em decorrência da qualidade com iluminação e outros cuidados que foram adotados. Hoje o estádio passou por muitas reformas e caiu muito a qualidade, mas a obra foi um projeto revolucionário?, lembra.