loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 24/07/2026 | Ano | Nº 6274
Maceió, AL
26° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Esportes

Esportes

HÁ MAIS DE MEIO SÉCULO, TIMAÇO GARANTE LIDERANÇA

Ouvir
Compartilhar

É comum que se diga que todos os começos são difíceis, mas quando uma rádio já nasce com sua própria equipe vencedora, da estreia à liderança, o movimento é tão garantido quanto o breve ato de sintonizar a estação certa. Há 57 anos, a Rádio Gazeta inicia sua história trazendo com ela o que hoje todo o País conhece como o Timaço da Gazeta, um quadro de profissionais que surgiu com a missão de cobrir todos os eventos esportivos de Alagoas. O propósito não só foi alcançado como, segundo o diretor de jornalismo, Gilberto Lima, adquiriu uma magnitude ainda maior. ?O Timaço da Gazeta é considerado pela CBF uma das dez maiores equipes de esporte do Brasil. Tanto em cobertura como em amplitude, ao cobrir não só o Campeonato Alagoano de futebol e o Brasileiro, mas, principalmente, acompanhando a Seleção Brasileira em todos os eventos dos quais ela participa?, relata. Atualmente, o Timaço da Gazeta, comandado por Arivaldo Maia, possui 13 profissionais na atividade-fim, e todo um grupo técnico de apoio que assegura a condução logística da informação. Para além das garantias diárias de sucesso, interação, participação e emoção, como garante Gilberto Lima, há também uma série de histórias que, durante mais de meio século, foram acumuladas pelos que trazem narrações, reportagens, comentários e resenhas para os ouvintes. As carreiras de cada integrante que atua hoje no Timaço também fazem parte do resultado adquirido pela Rádio Gazeta, e os 12 comunicadores foram ouvidos pelo repórter Arnaldo Ferreira, em vídeos e áudios publicados na Gazetaweb, na TV Mar, e na própria Rádio. Algumas histórias partem de outros estados. É o caso dos pernambucanos Antônio Torres e Orlando Batista, do paraibano Marcelo Rocha, e do mineiro Wellington Campos, por exemplo. Entretanto, a composição do time parte sempre do mesmo local: da paixão ou, no mínimo, de uma curiosidade pelo rádio. E assim complementam também as histórias de Edmilson Santana, Arivaldo Maia, Eduardo Vieira, Jânio Barbosa, Rogério Costa, Warner Oliveira, Claudemir Araújo e Luciano Barbosa. Foi a curiosidade que guiou ao rádio, por exemplo, o atual repórter esportivo Jânio Barbosa, que costumava ouvir o rádio diariamente com a família a caminho da roça. ?Era trabalhando no dia a dia e ouvindo a rádio, com curiosidade em saber quem estava falando?, conta. ?Eu era pequeno, era por volta das décadas de 1980, 1990, e eu ficava tentando entender o que se passava dentro do rádio. A curiosidade foi despertando?, relata. Em 2009, esse mesmo interesse conduziu Jânio Barbosa a se profissionalizar na área. ?Estar no campo de futebol mapeando as emissoras, conhecer o repórter que estava no campo, conversar com ele, apertar a mão dele?, cita. ?Entre os outros grandes que passaram no rádio, principalmente a Rádio Gazeta, tive oportunidade de ter o primeiro contato com o mestre Waldemir Rodrigues?, relata. Citado com sentimentos saudosos e de gratidão em quase todas as entrevistas, Waldemir, que faleceu em 2015, aos 65 anos, liderava o Timaço da Gazeta e compunha a história da Rádio, a partir de seus 45 anos de profissão. Ainda que a curiosidade pela rádio e seus grandes personagens tenham sido supridas, Jânio Barbosa conta que os aprendizados não se esgotam. ?Passei por essa dinâmica toda de faculdade, mas o rádio ensina todos os dias?, conta, enquanto orienta: ?É preciso ter humildade, sempre ouvir as referências, acompanhar o dia a dia, porque a gente nunca sabe de nada. Estamos sempre aprendendo?. Outros comunicadores se motivaram pelo rádio através de familiares. É o caso de Rogério Costa, filho do cronista esportivo Jurandir Costa, e Eduardo Vieira, filho de Ronaldo Lima. Com 30 anos de profissão, Rogério explica: ?Meu pai queria que eu fizesse direito, que eu fosse advogado, ou fizesse concurso para magistratura. Quando eu tinha entre 18 e 20 anos queria viver, queria estudar, mas também curtir, não queria assumir carreira. E o rádio surgiu como a coisa mais fácil que eu poderia fazer porque eu já estava em casa. Acompanhava a trajetória do meu pai?. Em um 12 de novembro, dia que também celebra aniversário, Rogério Costa também estreou na rádio em um jogo de ASA e CSA, em que foi acompanhado pelo narrador esportivo do Timaço, Claudemir Araújo. ?Fui passear com o Claudemir Araújo, figura inesquecível marcante na minha vida. O repórter era Antônio Guimarães. E o Claudemir disse: ?Jurandir, vou levar seu filho para viajar, porque ele não conhece Arapiraca. E meu pai disse: ?pode levar, desde que não coloque ele no ar?. E ele disse: ?não se preocupe que ele não vai para o ar?. Já fazia uns ensaios, gravando notícias internacionais. Era jogo de ASA e CSA. E foi a primeira vez em que segurei no microfone para valer?, comenta. Já Eduardo Vieira foi motivado pelo jornalismo e pelas leituras trazidas por seu pai, Ronaldo Lima, que atua em assessoria de comunicação. ?Cresci com ele ouvindo rádio, assistindo a jornais e trazendo jornais impressos. Ele levava a Gazeta de Alagoas praticamente todos os dias para casa. Isso me levou naturalmente por esse caminho na hora de escolher a profissão e qual curso iria fazer no vestibular?. Atualmente o repórter de pista também escreve para o jornal Gazeta, para a Gazetaweb, e, eventualmente, surge na TV Mar, mas atenta pelo equilíbrio: ?Hoje o jornalismo é multimídia. Você não pode ser só da rádio, do impresso, da web ou da TV. Tem que entender um pouco de tudo, mas também tem que ter cuidado porque quem faz tudo termina não fazendo nada. É preciso se especializar em uma área específica que você gosta mais, mas também saber lidar com outros segmentos?, reflete. Já a relação de Orlando Batista com o rádio não é tão recente assim. Segundo o repórter de pista, a paixão é antiga e continua firme. ?Se é uma doença, é uma doença muito saudável. Não consigo deixar mais o rádio. Minha esposa até pergunta sobre planos para aposentadoria e respondo que não, que preciso continuar até o fim da minha vida?, revela. Batista ainda trabalhava em uma drogaria do comércio quando tudo começou. ?Tinha o hábito de todos os dias passar em uma banca de revistas, ainda sem dinheiro, para comprar o jornal Gazeta, por exemplo. Só que, pelo fato de chegar lá todos os dias em uma timidez, o dono da banca permitiu que eu olhasse os classificados?, conta. Orlando Batista acabou encontrando, em certo momento, o anúncio de uma emissora que precisava de contato publicitário. Da área comercial, aproximações e afastamentos o levaram até a comunicação. Além das histórias como rádio, e toda versatilidade apresentada como critério para quem atua e se mantém na liderança, os comunicadores ainda conseguem se distribuir entre outras funções. O plantonista esportivo de União dos Palmares, Edmilson Santana, não só trabalha com o rádio há 25 anos ? cujo interesse começou desde os 15, em um jogo do Mutange ? como também atua na área comercial. Claudemir Araújo coleciona diplomas e atua em diversas áreas, como Engenharia Civil, Análise de Sistemas, Direito, além de editor geral a Gazeta de Alagoas e narrador do Timaço da Gazeta. Entretanto, segundo Araújo, sua entrada no rádio foi acidental. ?Tenho um irmão que era louco para ser locutor esportivo ou locutor de rádio de uma maneira geral. Certa manhã, ele disse: ?Claudemir, minha chance chegou?. Era um teste para locutor que teria na Rádio Difusora naquela tarde?, conta. Em meio à série de segmentos em que se envolve atualmente, Claudemir orienta: ?É preciso se doar?. BORDÕES Para além da multifuncionalidade, há um detalhe sutil que, quando abraçado, torna o Timaço ainda mais próximo do universo dos ouvintes: os bordões. Que o digam Warner Oliveira e Marcelo Rocha. Quando Warner caminha pelas ruas da cidade, seus interlocutores já aguardam o famoso encerramento ?É assim que se faz jornalismo!?. A frase tem uma motivação especial para o comunicador que já trabalhou no jornal, como correspondente da Revista Placar, mas foi na rádio que se envolveu. ?Gosto do factual, do imediatismo da notícia, do diferencial todos os dias. A cada minuto, a cada hora, a gente tem um assunto diferente. E poder levar ao público a notícia e a informação me motiva muito?. Já Marcelo Rocha, que também já cumpriu múltiplas funções, é bastante conhecido por seu bordão na abertura, ao iniciar a cobertura já declarando que ?a estrutura chegou?. O comunicador do Timaço esclarece o motivo: ?A estrutura chama atenção. Significa que agora a Gazeta está aqui, agora está a estrutura. Porque você tem todo o aparato de profissionais. E com o Timaço ficou ainda melhor. E comecei a usar esse termo ?A estrutura chegou?, e acabou pegando?, esclarece Marcelo Rocha.

Relacionadas