Esportes
Mulher na zona de tiro
Pela segunda vez consecutiva, Alagoas está no lugar mais alto do Brasil no tiro esportivo feminino. O bicampeonato brasileiro de Júlia Nunes, ganho no dia 26, no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, cravou que a ?Terra dos Marechais? vem trilhando o caminho certo na modalidade esportiva a nível nacional. Ela levou a medalha de ouro na prova de 50 metros de distância, usando a Carabina Custom, além da prata nos 25 metros. Preconceito, desrespeito e desconfiança. A também advogada teve que passar por cima de diversas barreiras para chegar ao topo, principalmente em 2016, antes de ganhar seu primeiro título nacional. ?Fui muito desacreditada por todos. Inclusive por minha família, que não apoiava por ser um esporte tido como masculino. Fui para o Brasileiro com a cara e com a coragem?, falou. ?MAS É MULHER...? Outra dificuldade encontrada por Júlia foi a aceitação masculina de tê-la treinando ao lado deles. Segundo ela, o receio da macharada pairava no questionamento: ?Mas é mulher, sabe atirar mesmo??. A advogada simplesmente ignorou os comentários, fixou seu olhar no alvo que estava logo à frente do seu nariz e mostrou que é melhor que muito homem. ?Na história do Brasil, não existe histórico de falhas de mulheres atiradoras manuseando armas, a não ser policiais. Isso se deve porque nós tomamos cuidado, com muito trabalho e estudo, para poder ser uma atiradora. Tem mulher atirando melhor que muitos homens?, comentou. Diferentemente da maioria dos atletas de tiro, Júlia não tem ninguém na família que seja atirador, o que aumentou a desconfiança entre os outros atletas. ?Eu não sou nada de ninguém, simplesmente resolvi atirar. Não precisa ser filha ou mulher de atirador, precisa ter vontade e coragem, porque em Alagoas tem pouca mulher participando?. Existem apenas três atiradoras alagoanas que participam de competições. Além de Júlia, tem também Janaína Bedran, recordista brasileira no duelo de 20 segundos com pistola menor, em 2015; e Dália Amorim, vice-campeã brasileira na categoria production/ladies, neste ano. A missão da atleta é popularizar a modalidade de tiro esportivo entre as minorias. ?Eu nunca vi um homossexual competindo. Será que a gente ingressando com força na modalidade, não conseguimos colocar todos os gêneros? Quero provar que o tiro é um esporte como qualquer outro, que precisa de dedicação e equilíbrio. É um esporte que vai depender muito do seu corpo, da sua mente, e é para todos. Qualquer pessoa pode atirar, e atirar muito bem, mas para isso precisa só querer e se dedicar?, disse. * Sob supervisão da editoria de Esportes