Esportes
BELA, RECATADA E DO MMA
Ao ver Bárbara Acioly, 24 anos, dentro de um vestidinho preto, com salto, cabelo solto e um olhar fatal, a ideia inicial é ?esta gata é modelo?. A carrinha angelical, o sorriso fácil, o astral positivo enganam muito. Ela é atleta profissional, e mais do que isso: é lutadora profissional de MMA. Os desinformados levam um susto. No começo da carreira, em uma das primeiras lutas de muay thai, um dos organizadores perguntou: ?Vocês têm certeza que vão colocar esta ?patricinha? pra lutar? Ela vai levar um pau lá em cima!?. Bárbara ?patricinha? subiu no ringue e detonou a adversária. Recentemente, em uma luta em Miami, a mesma reação. Quando ela surgiu para pesagem em um hotel de luxo, os americanos riram. Os olhares mostravam uma menina magra, frágil, pelo desgastante processo de perda de peso antes das lutas, parecendo uma modelo. Ouviu-se de alguns que a americana Trisha Cicero iria massacrar a alagoana. Também não foi isso que aconteceu. Bárbara venceu e teve esta luta feminina do ano nos Estados Unidos. A construção dessa imagem mostra como Bárbara supera expectativas. Determinada, desde de criança ela envolveu-se no esporte. A primeira passagem foi pelo caratê, acompanhando o irmão, uma de suas referências. Depois a mudança para o judô não trouxe o entusiasmo. ?Hoje percebo a falta que faz o período que não me adaptei ou que não gostei do judô quando criança?, avalia Bárbara. Mas a vida esportiva seguiu, e por caminhos inimagináveis. Ela usou a natação e a ginástica rítmica, isso mesmo, com direito a coreografias com bolas, fitas e massas. ?Era divertido para uma criança, tinham umas fitas coloridas, adorava aquilo, aquele movimento, a brincadeira?, disse a lutadora. Já treinando boxe tailandês, ou simplesmente o muay thai, Bárbara descobriu o MMA. Na época, o Coliseu, organização genuinamente alagoana, era um destaque, o UFC começava a arregimentar fãs e ela colocou na cabeça ?era isso?. E foi. Bárbara havia decidido a mudança. As lutas começaram a acontecer, os resultados surgiram, a família apoiava e o caminho do profissionalismo ficou mais próximo. Novamente a determinação da lutadora alagoana falou mais alto. Mesmo assim, as primeiras dificuldades serviram de aprendizado. Em Delmiro Gouveia, local do seu primeiro combate profissional, Bárbara dividiu um espaço com o seu treinador, Arthur Santiago. ?O banheiro era dividido por uma cortina. Para ela usar o banheiro, eu tinha que sair, e vice-versa. Cheguei a dizer para ela que iríamos passar por aquilo para lutar nos melhores lugares do mundo?, revela Arthur Santiago. É verdade que o esporte, a disciplina, a superação, abrir mão de um monte de ?tentações? da vida resgataram Bárbara de uma ?vida louca?. ?É gratificante como educador físico ver a importância na formação dela. Ela melhorou como pessoa, melhorou com amigos, familiares e se transformou. Méritos dela. Você vê um ?mulherão? deste abrir mão das coisas da vida, noite, curtir e tudo mais, e estar conseguindo dar esses passos já é uma grande vitória. Mas nós queremos muito mais?, diz Arthur. Tudo foi muito rápido. Após alguma lutas profissionais, a guerreira alagoana já estava no exterior, lutando e amassando adversárias. Mas a vida ainda reservava um novo grande salto. Em meio a um camping nos Estados Unidos, ela recebeu uma informação que mexeu com sua cabeça: um contrato para ser assinado com a organização Invicta, uma das maiores do mundo do MMA. A confidencialidade foi um sofrimento à parte. ?Eu queria dizer para todo mundo, mas não podia. Eles é que tinham que anunciar. Falei para os meus pais, para meu irmão, para alguns técnicos e parecia não acreditar?, disse.