Esportes
Vai dar zebra?
Seja qual for o campeonato, principalmente nos Estaduais pelo Brasil, a disputa entre Davi e Golias é real e absurda. Os times do interior precisam se virar para conseguir triunfar em jogos contra os grandes. Por inúmeras vezes, até enfrentar problemas extracampo que colocam mais pedras no caminho árduo. Em 2017, no Gauchão, o Internacional perdeu o título para o Novo Hamburgo, sendo a grande ?zebra? dos estaduais naquele ano. No Campeonato Alagoano não é diferente. Os clubes do interior sempre têm que arregaçar as mangas, se esforçar ao máximo, para desbancar CRB e CSA. CEO, ASA, Coruripe, Dimensão Saúde, CSE, Murici e Santa Rita são os que estão com essa missão em 2018. O Alvinegro de Arapiraca é o clube interiorano que conseguiu desbancar os da capital em algumas oportunidades. Empatado com o CRB, é o que mais levantou troféus do Alagoano neste século, com seis conquistas (2000, 2001, 2003, 2005, 2009 e 2011). A última equipe que quebrou a hegemonia regatiana foi o Coruripe, em 2014, calando 17.381 torcedores que estiveram no Estádio Rei Pelé. ?A indagação é justamente esta: ?qual time pode desbancar os grandes?? O ASA conseguiu isso diversas vezes; Coruripe também foi campeão. Sinceramente, este ano não estou vendo essa possibilidade de uma forma mais efetiva. Vamos aguardar as primeiras rodadas do campeonato justamente para ver qual time do interior vai chegar com mais força, sendo a surpresa do campeonato?, falou Antônio Torres, comentarista da Rádio Gazeta. Não tem como afirmar se isso acontecerá novamente, porque, como dizem, ?o futebol é uma caixinha de surpresas?, ou, então, ?tudo pode acontecer?. ABISMO FINANCEIRO Orçamento, dinheiro, caixa para contratar e qualificar a equipe. Esse, talvez, seja o exemplo da grande diferença entre os da capital ? que terão, além do Estadual, Série B do Brasileiro, Copa do Brasil e do Nordeste ? e o interior ? que terão pela frente basicamente apenas o Alagoano, com exceção de ASA e Murici, que têm ainda a Série D. Para confirmar isso, a reportagem da Gazeta de Alagoas buscou a diretoria de cada equipe para mostrar esse abismo entre as equipes. A folha salarial dos times, incluindo atletas e comissões técnicas, gira em torno de: CEO, com um elenco de cerca de R$ 65 mil; CSE, com R$ 90 mil; já o ASA aumenta um pouco a média, com um plantel de R$ 100 mil; enquanto o Santa Rita é o mais modesto, no papel, permeando entre R$ 30-35 mil. O presidente do Dimensão Saúde, Cícero Santana, preferiu não divulgar a informação. O CSA, segundo o presidente Rafael Tenório, chega no Alagoano com uma folha de R$ 190 mil; já o rival CRB aponta na liderança do quadro, com absurdos R$ 800 mil, segundo informou Luciano Costa, radialista e setorista do clube. Segundo Torres, por erro próprio, as equipes interioranas encontram dificuldades de manter um time competitivo por não investirem na base e buscam jogadores mais ?rodados? para compor elenco, com o discurso de apostar na experiência. ?O futebol é desnivelado nesse sentido. As equipes que não têm um poder maior de investimento montam um time mais modesto. Eu fico com um pé atrás pelo seguinte: seria interessante que essas equipes que não têm muito dinheiro tivessem a categoria de base, para revelar alguns jogadores. Infelizmente não é assim, fica naquele círculo vicioso de jogadores que já passaram por CSA e CRB. Seria bom que tivesse jogador oriundo da base, então teria a possibilidade de conseguir montar um time mais competitivo, como também revelar atletas e conseguir dinheiro para investir mais?, criticou. Sempre com pouco dinheiro, o ASA consegue montar times competitivos. É característico da equipe arapiraquense revelar jogadores já revelados, ou seja, o Alvinegro sempre traz jogadores que já são conhecidos em outros estados, porém, desconhecidos em Alagoas. Depois dessa ?revelação?, esses jogadores acabam sendo transferidos ao CRB ou CSA para jogar as competições nacionais, rendendo uma quantia em dinheiro, gerando lucro. Os atacantes Lúcio Maranhão, Leandro Kível e Júnior Viçosa são exemplos clássicos dessa ?teoria do retorno financeiro? do Fantasma. *Sob supervisão da editoria de Esportes