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Dupla desafia ‘hegemonia masculina’ no surfe

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O fluxo das marés ou tamanho das ondas nem de longe é o maior desafio para as surfistas Maria Clara Holanda, de 15 anos, e Carol Gama, de 18. Há três anos praticando o esporte, as jovens assumem uma meta que está para além das fissuras por novas manobras: aumentar a participação de mulheres na prática do surfe em Alagoas. Se dentro dos tubos todo mundo pode ser igual, do lado de fora não tem sido bem assim. A despeito do destaque voltado às atletas que se tornaram vanguarda no domínio sobre as ondas ? como Margot Rittscher, Atalanta Batista, Claudinha Gonçalves ?, quando se trata da quantidade de mulheres, a desigualdade é tsunâmica. Segundo dados divulgados pela Revista Trip, fornecidos pela Associação Brasileira de Surf, há cerca de 350 profissionais homens no surfe em comparação a pouco mais de 30 mulheres. A realidade em Alagoas não é diferente, e o efeito mais evidente é a dificuldade para formação de categorias femininas nos campeonatos. ?Em termos de numeração, não tem meninas o suficiente para completar o que chamamos de bateria. Fora do Estado, as competições precisam ter entre sete e oito meninas para fechar uma bateria. Aqui em Alagoas, fui a uma competição onde só tinha eu e, por isso, foi cancelada?, relata Maria Clara. A situação é mais comum do que se pensa, segundo as jovens. ?Chegava ao ponto em que a gente tinha que devolver os próprios recursos que fomos atrás, por questão de não ter a oportunidade nem de sair para competir e conhecer o local em que nos esforçamos bastante ? com treinos dedicados. Tudo isso só por falta de meninas?, lamenta Maria Clara. ?Nos organizávamos todas para viajar e depois tínhamos que desorganizar de novo porque a viagem era cancelada?, acrescenta Carol Gama. O fenômeno não é nada natural e, entre as várias causas, está a falta de incentivo. ?Em relação a patrocínio e suporte, infelizmente no nosso Estado é muito difícil. A gente vê, em diversas reportagens e locais, as mulheres querendo mover isso e não tendo essa oportunidade toda?, conta. De maneira mais concreta, essas distinções são percebidas, por exemplo, na premiação. ?Em termos de premiação, é totalmente diferente. O feminino é o resto do que sobrou do masculino. Fica chato porque foi tanto esforço, e pagamos de inscrição o mesmo valor que o masculino. Fica uma injustiça e ficamos chateadas?, relata Maria Clara. Carol Gama relata a situação ocorrida em um dos campeonatos. ?Todos os campeonatos têm diferença. Nunca é por igual. Mas teve um campeonato em especial que a gente participou no ano passado, em que ganhamos uma garrafa para colocar água e os meninos ganharam metade de um voucher de uma prancha, que custa em torno de R$ 400?. Em outro campeonato, segundo Maria Clara, a distinção esteve materializada na quantia em dinheiro. ?Era R$ 2 mil o prêmio para o feminino, e para o masculino, R$ 16 mil. É uma diferença enorme e absurda?.

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