Esportes
Invasão da torcida: visão dentro das quatro linhas
Um dos reforços do CRB para esta temporada, o goleiro João Carlos sabe bem o que é passar por momentos perigosos dentro do gramado. Em 2017, enquanto era reserva de Aranha na Ponte Preta-SP, o arqueiro regatiano viveu cenas lamentáveis na derrota para o Vitória, por 3x2, no Moisés Lucarelli. O resultado decretou o rebaixamento da Macaca para a Série B do Brasileiro. Revoltados, torcedores invadiram o gramado para tentar agredir os jogadores. Do banco de reservas, João Carlos correu em direção ao vestiário e quase foi pego por um dos vândalos. Ele negou que tenha sido uma situação traumática, mas lembra com detalhes o ocorrido. ?Acho que traumático não é a palavra correta. Na hora que aconteceu o episódio e vimos a galera invadindo o gramado, nós [jogadores] tivemos a iniciativa de correr para o vestiário, para nos proteger. Eu fui um dos últimos, porque fiquei chamando o pessoal que ainda estava no campo. Infelizmente, são coisas lamentáveis que acontecem no nosso futebol?, afirmou. Na confusão, três policiais ficaram feridos, após agressões com pedras, e quatro pessoas foram detidas ainda no gramado. O experiente goleiro, 29 anos, conta que situações como essa são inaceitáveis. ?Na Ponte Preta, eu passei por várias situações, durante os três anos que atuei pelo clube. Torcida no vestiário, torcida no aeroporto, no CT ameaçando... Enfim, é um tipo de pressão que eu não aceito. É uma intimidação. Você tem família, filhos, as pessoas podem saber onde seus filhos estudam, o que nos deixa preocupados. Nós jogadores somos pais, trabalhadores, e queremos apenas fazer o nosso dever e ir embora para casa. Então, até quando nós jogadores vamos sofrer com isso? Onde vai parar??, questionou. Presente em praticamente todos os jogos do CRB em 2018 ? menos nos empates com o Murici e o CSE, pelo Alagoano, por questão de rodízio adotado por Mazola ?, João Carlos vem se destacando pela segurança embaixo das traves. Foram apenas 10 gols sofridos, somando todas as competições que o Galo disputou neste início de temporada, o que faz a torcida regatiana já apelidá-lo de ?paredão?. O goleiro comemora o momento vivido e ressalta a importância do apoio do torcedor. * Sob supervisão da editoria de Esportes